Blackberry-picking, de Seamus Heaney

Blackberry-picking
Seamus Heaney

Late August, given heavy rain and sun
week, the blackberries would ripen.
At first, just one, a glossy purple clot
Among others, red, green, hard as a knot.
You ate that first one and its flesh was sweet
Like thickened wine: summer’s blood was in it
Leaving stains upon the tongue and lust for
Picking. Then red ones inked up and that hunger
Sent us out with milk cans, pea tins, jam-pots
Where briars scratched and wet grass bleached our boots.
Round hayfields, cornfields and potato-drills
We trekked and picked until the cans were full,
Until the tinkling bottom had been covered
With green ones, and on top big dark blobs burned
Like a plate of eyes. Our hands were peppered
With thorn pricks, our palms sticky as Bluebeard’s.

We hoarded the fresh berries in the byre.
But when the bath was filled we found a fur,
A rat-grey fungus, glutting on our cache.
The juice was stinking too. Once off the bush
The fruit fermented, the sweet flesh would turn sour.
I always felt like crying. It wasn’t fair
That all the lovely canfuls smelt of rot.
Each year I hoped they’d keep, knew they would not.

Colhendo amoras
Tomaz Amorim Izabel

Fim de Agosto, devido ao sol e ao chuvão
Da semana, as amoras amadureciam.
Primeiro, lustrosa bolota roxa, só
Entre outras rubras, verdes, dura como um nó.
Você comeu a primeira e a carne era doce
Como vinho encorpado: como o sangue fosse
Do verão, manchando sua língua e te tentando
A colher. Então, as frutas se avermelhando
E a fome nos pôs com latas de leite e ervilha
Onde arranhava a erva molhada e enbranquecia
Nossas botas. Em volta dos campos de feno,
Milho e batata, colhemos até ‘star pleno
O pote, até cobrir o fundo tilintante
De verde e o topo de negros nodos brilhantes
Como olhos. Mão de espinho temperada, nú
Nosso punho, grudento como o do Barba-Azul.

Guardamos as frutinhas frescas no celeiro.
Mas quando estava cheio encontramos no meio
Um fungo cinza fartando-se em nosso abrigo.
O suco também fedia. Fora do asilo
Da moita a fruta fermentou, o doce azedou.
Eu sempre queria chorar e nunca vou
Achar justo que as latas cheirem podridão.
Sempre quis que durassem, sabia que não.