Os sarcófagos romanos, de Rainer Maria Rilke

Tradução: Fernando Germano Esteves

Mas o que afinal nos impede de crer
(e restamos, aqui e ali, isolados)
Que, por longo tempo, o ódio, o poder
E a loucura,  foram os únicos legados,

Como no sarcófago trabalhado,
De deuses esculpidos e de volutas,
Onde lentamente é consumida a túnica,
Um  cadáver foi lentamente adiado –

Até que as bocas, anonimamente,
engoliram tudo em silêncio. ( onde está
A cabeça que os trará de volta à vida?):

A água dos aquedutos de antigamente
Nunca cessou; segue o fluxo para lá
Reflete neles, não pára, e brilha ainda.

***

Römische Sarkophage
Rainer Maria Rilke

Was aber hindert uns zu glauben, dass
(so wie wir hingestellt sind und verteilt)
nicht eine kleine Zeit nur Drang und Hass
und dies Verwirrende in uns verweilt,

wie einst in dem verzierten Sarkophag
bei Ringen, Götterbildern, Gläsern, Bändern,
in langsam sich verzehrenden Gewändern
ein langsam Aufgelöstes lag –

bis es die unbekannten Munde schluckten,
die niemals reden. (Wo besteht und denkt
ein Hirn, um ihrer einst sich zu bedienen?)

Da wurde von den alten Aquädukten
ewiges Wasser in sie eingelenkt -:
das spiegelt jetzt und geht und glänzt in ihnen.

Anúncios

Liebeslied, de Rainer Maria Rilke

Rainer Maria Rilke
Liebeslied

Wie soll ich meine Seele halten, daß
sie nicht an deine rührt? Wie soll ich sie
hinheben über dich zu andern Dingen?
Ach gerne möcht ich sie bei irgendwas
Verlorenem im Dunkel unterbringen
an einer fremden stillen Stelle, die
nicht weiterschwingt, wenn deine Tiefen schwingen.
Doch alles, was uns anrührt, dich und mich,
nimmt uns zusammen wie ein Bogenstrich,
der aus zwei Saiten eine Stimme zieht.
Auf welches Instrument sind wir gespannt?
Und welcher Spieler hat uns in der Hand?
O süßes Lied.

Tomaz Amorim Izabel
Canção de Amor

Como segurar minha alma para que
ela não vibre na sua? Como posso
elevá-la sobre você até outras coisas?
Ah, gostaria tanto de abrigá-la em algo
esquecido na escuridão, em algum lugar
silencioso e estranho, que não ressoa
quando soam suas profundezas.
Mas tudo que nos toca, a você e a mim,
nos toma juntos como um arco de violino
que de duas cordas tira uma só voz.
Sobre qual instrumento nos estendemos?
E que instrumentista nos tem na mão?
Ó, doce canção.