Sonho com a espada de cavaleiro *
Tradução: Tomaz Amorim Izabel

Eu tinha combinado uma excursão com dois amigos para o domingo, mas de forma completamente inesperada dormi demais e perdi a hora do encontro. Meus amigos, que conheciam até então minha pontualidade, se surpreenderam com o atraso e foram até a casa em que eu morava, ficaram esperando por lá ainda uma hora, subiram então as escadas e bateram na minha porta. Eu me assustei muito, pulei da cama e não prestei atenção em outra coisa que não fosse me aprontar o mais rápido possível. Quando eu então saí da porta completamente vestido, meus amigos recuaram de mim visivelmente assustados. “O que você tem atrás da cabeça?”, eles gritaram. Desde o despertar eu já sentia algo que me impedia de deitar a cabeça e tateei neste momento com a mão procurando pelo obstáculo. Imediatamente gritaram os amigos, que já tinham se acalmado um pouco: “Toma cuidado, não vai se machucar”, enquanto eu apanhava por de trás de minha cabeça uma espada. Os amigos se aproximaram, me examinaram, me levaram ao quarto diante do espelho da cômoda e me despiram da cintura para cima. Uma grande e antiga espada de cavaleiro com punho em forma de cruz estava presa nas minhas costas até o cabo, mas de forma que a lâmina foi enfiada de forma incrivelmente precisa entre a pele e a carne e não infligiu nenhum ferimento. No lugar da intrusão no pescoço também não havia ferida e os meus amigos garantiam que o buraco que se abriu pela lâmina estava completamente sem sangue e seco. E enquanto agora os amigos subiam no braço da cadeira e devagar, milimetricamente, puxavam a espada, não saiu nenhum sangue e o lugar aberto no pescoço se fechou até um buraco que mal dava para notar. “Aqui está sua espada”, disseram os amigos rindo e a entregaram para mim. Eu a pesei em minhas mãos, era uma arma fina, cruzados poderiam tê-la usado. Quem aguenta isso, que antigos cavaleiros percorram os sonhos, brandindo irresponsavelmente suas espadas, perfurando adormecidos inocentes e só não causando feridas profundas porque suas armas provavelmente desviam de corpos vivos e também porque amigos fiéis estão atrás da porta e batem prontos para ajudar.

*****************************************

Traum vom Ritterschwert
Franz Kafka

Ich hatte mit zwei Freunden einen Ausflug für den Sonntag vereinbart, verschlief aber gänzlich unerwarteter Weise die Stunde der Zusammenkunft. Meine Freunde, die meine sonstige Pünktlichkeit kannten, staunten darüber, giengen zu dem Haus in dem ich wohnte, standen auch dort noch eine Zeitlang, giengen dann die Treppe hinauf und klopften an meiner Tür. Ich erschrak sehr, sprang aus dem Bett und achtete auf nichts anderes, als darauf mich möglichst rasch bereitzumachen. Als ich dann vollständig angezogen aus der Türe trat, wichen meine Freunde offenbar erschrocken vor mir zurück. “Was hast Du hinter dem Kopf” riefen sie. Ich hatte schon seit dem Erwachen irgendetwas gefühlt, das mich hinderte den Kopf zurückzuneigen und tastete nun mit der Hand nach diesem Hindernis. Gerade riefen die Freunde, die sich schon ein wenig gesammelt hatten “Sei vorsichtig, verletze Dich nicht” als ich hinter meinem Kopf den Griff eines Schwertes erfaßte. Die Freunde kamen näher, untersuchten mich, führten mich ins Zimmer vor den Schrankspiegel und entkleideten meinen Oberkörper. Ein großes altes Ritterschwert mit kreuzartigem Griff steckte in meinem Rücken bis zum Heft, aber in der Weise, daß sich die Klinge unbegreiflich genau zwischen Haut und Fleisch geschoben und keine Verletzung herbeigeführt hatte. Aber auch an der Stelle des Einstoßes am Halse war keine Wunde, die Freunde versicherten, daß sich dort völlig blutleer und trocken der für die Klinge notwendige Spalt geöffnet habe. Und als jetzt die Freunde auf Sessel stiegen und langsam millimeterweise das Schwert hervorzogen, kam kein Blut nach und die offene Stelle am Halse schloß sich bis auf einen kaum merklichen Spalt. “Hier hast Du Dein Schwert” sagten die Freunde lachend und reichten es mir. Ich wog es in beiden Händen, es war eine kostbare Waffe, Kreuzfahrer konnten sie wohl benützt haben. Wer duldete es, daß sich alte Ritter in den Träumen herumtrieben, verantwortungslos mit ihren Schwertern fuchtelten, unschuldigen Schläfern sie einbohrten und nur deshalb nicht schwere Wunden beibrachten, weil ihre Waffen zunächst wahrscheinlich an lebenden Körpern abgleiten und weil auch treue Freunde hinter der Tür stehn und hilfsbereit klopfen.

*****************************************

* Este texto se encontra no diário de Kafka sob a data de 19 de Janeiro de 1915. Ele não tem título e não foi de forma alguma separado como “Obra” para publicação. Seu fechamento indica que Kafka não planejou uma sequência e que tomou o texto como “pronto”. A segunda frase, “Meus amigos, que conheciam até então minha pontualidade”, deve ser lida como brincadeira irônica. Porque Kafka era notoriamente não pontual e precisava se desculpar frequentemente com seus amigos de Praga, com os quais muitas vezes marcava encontros dominicais.

Fonte: Franz Kafka, Tagebücher, Band 3: 1914–1923, Fischer Taschenbuch Verlag (Bd. 12451), Frankfurt am Main 1994, Seite 71–72.

A Novela italiana, de Rober Walser

robert walser

A novela italiana
Tradução: Tomaz Amorim Izabel

Eu tenho fortes motivos para me perguntar se irá agradar uma história que conta sobre duas pessoas ou duas pessoinhas, a saber, uma moça adorável e gentil e um homem jovem, corajoso, bom e, à sua maneira, pelo menos também tão gentil quanto ela, que mantinham entre si a mais bela e profunda relação de amizade. O amor terno e apaixonado que eles sentiam um pelo outro igualava o sol de verão em calor e a neve de dezembro em pureza e castidade. Sua confiança mútua e gentil parecia inabalável e a afeição ardente e inocente crescia dia após dia, como uma planta cheia de cores e fragrâncias maravilhosas. Nada parecia poder perturbar esta das mais estáveis das situações e das mais belas das convicções. Tudo teria permanecido bonito e bem, não conhecesse o homem jovem, corajoso, bom e amado tão bem a Novela italiana. O conhecimento exato, entretanto, da beleza, esplendor e majestade da Novela italiana deixaram no, como o leitor atento imediatamente compreenderá, besta, roubaram dele por algum tempo a metade do seu juízo sadio e o constrangeram, o forçaram, o obrigaram a um dia, de manhã ou de noite, às oito, às duas ou às sete horas, a dizer com voz cansada para sua amada: “Ei, ouça, tenho que te falar uma coisa, uma coisa que já me pressiona, me atormenta e me tortura há muito tempo, uma coisa que talvez vá nos fazer infelizes. Eu não devo manter isto em silêncio, eu preciso, preciso te dizer. Junte toda a sua coragem e resistência. É possível que a notícia terrível e horrorosa te mate. Ai, queria me dar mil safanões ressoantes e arrancar os meus cabelos”. A pobre moça exclamou raivosa: “Eu não estou te reconhecendo. O que te atormenta, o que te tortura? O que é de tão terrível que você até agora me escondeu e que agora tem que me confiar? Adiante com as palavras aqui, para que eu saiba o que eu tenho a temer e o que eu por ventura ainda tenho para crer. Coragem para tolerar o mais pesado e para suportar o mais extremo não me falta”. Assim ela falou, claro, e tremia de medo com todo o corpo, e o desconforto se alastrou com uma palidez mórbida sobre seu rosto amável, até então fresco e belo. “Perceba”, disse o jovem homem, “que eu infelizmente tenho um conhecimento profundo demais da Novela italiana e que justo este saber é nossa infelicidade”. “Como isto, pelo amor de Deus?”, ela perguntou, digna de pena, “como pode ser que formação e conhecimento possam nos deixar inconsoláveis e destruir nossa felicidade?”. No que coube a ele replicar: “Porque o estilo da Novela italiana é único em beleza, sabor e força e porque o nosso amor não tem um estilo assim para apresentar. Este pensamento me deixa inconsolável e eu não consigo mais acreditar em nenhuma felicidade”. Por cerca de dez minutos ou um pouco mais, ambas as boas e jovens pessoas soltaram a cabeça e a cabecinha e ficaram completamente desamparados e aturdidos. Aos poucos, no entanto, foram ganhando de volta a confiança e a fé perdida, e voltaram de novo à reflexão. Eles rejuntaram as forças e saíram da tristeza e do desânimo, olharam amigavelmente uns nos olhos do outro, sorriram e se deram as mãos, se aninharam bem próximos, estavam mais felizes e mais confiantes do que nunca porque disseram: “Agora, como antes, apesar de todo o estilo e magnificência da Novela italiana, nós queremos ter alegria e prazer um no outro e nos amarmos com afeto, assim como éramos antes. Nós queremos ser modestos e satisfeitos e não queremos nos preocupar com nenhum modelo que nos roube o gosto e o prazer natural. Permanecer simples e honestos um com o outro, e sermos bons, é melhor do que o mais belo e distinto estilo, que nos pode ser roubado, não é”. Com estas palavras alegres eles se beijaram com a maior intimidade, riram do seu desalento ridículo e ficaram novamente satisfeitos.

*********************************************************************

Die italienische Novelle
Robert Walser

Ich habe starke Ursache, mich zu fragen, ob eine Geschichte gefallen wird, die von zwei Leuten oder Leutchen, nämlich von einem reizenden netten Mädchen und von einem in seiner Art mindestens ebenso netten braven guten jungen Mann berichtet, die im schönsten und innigsten Freundschaftsverhältnis zu einander standen. Die zärtliche und leidenschaftliche Liebe, die sie gegenseitig fühlten, glich an Hitze der Sommersonne und an Reinheit und Keuschheit dem dezemberlichen Schnee. Ihr beidseitiges liebenswürdiges Vertrauen schien unerschütterlich, und die feurige unschuldige Neigung wuchs von Tag zu Tag wie eine wundervolle farben- und duftreiche Pflanze. Nichts schienden allerholdesten Zustand und das allerschönste Zutrauen stören zu können. Alles wäre schön und gut gewesen, wenn nur der brave gute liebe und junge Mann die italienische Novelle nicht so gut gekannt hätte. Die exakte Kenntnis jedoch von der Schönheit, Pracht und Herrlichkeit der italienischen Novelle machte ihn, wie der aufmerksame Leser sogleich erfahren wird, zum Schafskopf, raubte ihm für eine Zeitlang die Hälfte des gesunden Verstandes und veranlasste, zwang und nötigte ihn eines Tages, morgens oder abends, um acht, zwei oder sieben Uhr zu seiner Geliebten mit dumpfer Stimme zu sagen: »Du, höre, ich habe dir etwas zu sagen, etwas, das mich schon die längste Zeit drückt, plagt und foltert, etwas, das uns Beide vielleicht unglücklich machen wird. Ich darf es dir nicht verschweigen, ich muss, ich muss es dir sagen. Nimm allen deinen Mut und alle deine Festigkeit zusammen. Es kann sein, dass dich die Kunde von dem Schrecklichen und Furchtbaren tötet. O ich möchte mir tausend schallende Ohrfeigen geben und mir das Haar ausraufen.« Das arme Mädchen rief angstvoll aus: »Ich kenne dich nicht mehr. Was quält, was peinigt dich. Was ist es Schreckliches, das du mir bis dahin verheimlicht und das du mir anzuvertrauen hast. Heraus mit der Sprache auf der Stelle, damit ich weiss, was ich zu fürchten und was ich irgendwie noch zu hoffen habe. An Mut, das Härteste zu dulden und das Äusserste zu ertragen, fehlt es mir nicht.« – Die so redete, zitterte freilich vor Angst am ganzen Körper, und das Unbehagen verbreitete eine tödliche Blässe über ihr liebreizendes, sonst so frisches und hübsches Gesicht. »Vernimm«, sagte der junge Mann, »dass ich leider nur ein zu gründlicher Kenner der italienischen Novelle bin und dass eben diese Wissenschaft unser Unglück ist.« – »Wieso das, um Gotteswillen?«, fragte die Bedauernswürdige, »wie ist es möglich, dass Bildung und Wissenschaft uns trostlos machen und unser Glück zerstören können?« Worauf es ihm beliebte, zu erwidern: »Weil der Stil in der italienischen Novelle an Schönheit, Saft und Kraft einzig dasteht, und weil unsere Liebe keinen derartigen Stil aufzuweisen hat. Dieser Gedanke macht mich trostlos, und ich vermag an kein Glück mehr zu glauben.« Beide guten jungen Leute liessen zirka zehn Minuten lang oder etwas länger den Kopf und das Köpfchen hängen und waren völlig rat- und fassungslos. Nach und nach gewannen sie jedoch die Zuversicht und den verlorenen Glauben wieder zurück, und sie kamen wieder zur Besinnung. Sie rafften sich aus Trauer und Entmutigung auf, schauten einander freundlich in die Augen, lächelten und gaben sich die Hand, schmiegten sich eng zusammen, waren glücklicher und vertraulicher als je zuvor, indem sie sagten: »Wir wollen nach wie vor trotz allen stilvollen und prachtvollen italienischen Novellen Freude und Genuss aneinander haben und uns zärtlich lieben, so wie wir einmal sind. Wir wollen genügsam und zufrieden sein und uns um keine Vorbilder kümmern, die uns nur den Geschmack und das natürliche Vergnügen rauben. Schlicht und ehrlich aneinanderhängen und warm und gut sein ist besser als der schönste und vornehmste Stil, der uns gestohlen sein kann, nicht wahr.« Mit diesen fröhlichen Worten küssten sie sich auf das innigste, lachten über ihre lächerliche Mutlosigkeit und waren wieder zufrieden.

Os Bêbados e os Sonâmbulos, de Bernardo Carvalho

Não sei como surgiu aquela história de língua. Ele colocou a língua para fora. Estava toda manchada, como se tivesse sido desenhada, como o próprio corpo. “Está vendo esses desenhos?”, ele perguntou. Abri os olhos. “Também pensei que fossem uma doença quando os percebi pela primeira vez”, disse. “Fui ao médico. Ele chamou a enfermeira: ‘Venha ver um caso de língua geográfica’, disse. São casos raríssimos, de línguas desenhadas. Nasci assim, mas não sabia. Foi o Andy [estava falando do Warhol] que me falou pela primeira vez da minha língua. Queria muito fazer um filme sobre ela. Minha língua lambendo tinta e pintando uma tela por seis horas ininterruptas. Tive um choque quando descobri que tinha língua geográfica. Você vê?”, disse, colocando de novo a língua para fora, “são como países, continentes.” Depois, também sem quê nem por quê, voltou a falar do pintor brasileiro, de como, durante um ano, arquitetou seu plano para tirar a tela que retratava a mulher morta do depósito do Metropolitan, o museu?… E, no final, quando a manhã já vinha nascendo, virou-se para mim, com a cabeça recostada no travesseiro e as duas mãos na nuca, e arrematou: “Que língua eu tenho!”.

Os Bêbados e os Sonâmbulos. São Paulo: Companhia das Letras, 1996, página 80

[into English]

I don’t know how that tongue talk came out. He showed his tongue out. It was all marked, as if it had been scrawled, like his own body. “Do you see these scrawls?” he asked me. I opened my eyes. “I also thought they were a disease when I noticed them for the first time”, he said. “I went to the doctor’s. He called the nurse. ‘Come here to see a case of geographic tongue’, he told her. Those are really rare cases of scrawled tongues. I was born this way, but I didn’t know about that. It was Andy [he was mentioning Wahlrol] who told me for the first time about my tongue. He truly wanted to make a movie about it. My tongue licking ink and painting on a canvas for six ongoing hours. I was shocked when I discovered I had a geographic tongue. Can you see it?”, he said, bringing his tongue out again, “they’re like countries, continents.” Afterwards, once more without a reason, he continued to tell me of the Brazilian painter, of how he had designed, during a whole year, his plan to get the canvas that depicted the dead woman out of the Metropolitan, the museum?… And, in the end, when the morning was already rising, he turned to me, his head lain on the pillow with both hands supporting his neck, and concluded: “What a tongue of mine!”

A partida, de Franz Kafka

Der Aufbruch – Franz Kafka

Ich befahl mein Pferd aus dem Stall zu holen. Der Diener verstand mich nicht. Ich ging selbst in den Stall, sattelte mein Pferd und bestieg es. In der Ferne hörte ich eine Trompete blasen, ich fragte ihn, was das bedeutete. Er wusste nichts und hatte nichts gehört. Beim Tore hielt er mich auf und fragte: »Wohin reitet der Herr?« »Ich weiß es nicht«, sagte ich, »nur weg von hier, nur weg von hier. Immerfort weg von hier, nur so kann ich mein Ziel erreichen.« »Du kennst also dein Ziel«, fragte er. »Ja«, antwortete ich, »ich sagte es doch: ›Weg-von-hier‹ – das ist mein Ziel.« »Du hast keinen Eßvorrat mit«, sagte er. »Ich brauche keinen«, sagte ich, »die Reise ist so lang, daß ich verhungern muß, wenn ich auf dem Weg nichts bekomme. Kein Eßvorrat kann mich retten. Es ist ja zum Glück eine wahrhaft ungeheure Reise.«

A partida – tradução por Tomaz Amorim Izabel

Eu ordenei que meu cavalo fosse tirado do estábulo. O servo não me entendeu. Eu fui por conta própria ao estábulo, selei meu cavalo e o montei. Ouvi na distância uma trombeta soar e perguntei a ele o que aquilo significava. Ele não sabia de nada e não tinha ouvido nada. No portão ele me parou e me perguntou:
– Para onde o senhor cavalga?
– Eu não sei – eu disse – apenas embora daqui, apenas embora daqui. Sempre adiante, embora daqui, só assim eu posso alcançar meu objetivo.
– Você conhece então seu objetivo? – ele perguntou.
– Sim – eu respondi – eu já disse: “Emboradaqui”, este é meu objetivo.
– Você não está levando nenhuma provisão de comida – ele disse.
– Eu não preciso de nenhuma. – eu disse. – A viagem é tão longa que eu devo morrer de fome se não receber nada no meio do caminho. Nenhuma provisão pode me salvar. Por sorte é mesmo uma viagem verdadeiramente imensa.

Beautiful Losers, de Leonard Cohen

(Trecho do romance Beautiful Losers, início do Second Book: A Long Letter from F.) – Leonard Cohen

My Dear Friend,

Five years with the length of five years. I do not know exactly where this letter finds you. I suppose you have thought often of me. You were always my favourite male orphan. Oh, much more than that, much more, but I do not choose, for this last written communication, to expend myself in easy affection.

If my lawyers have performed according to my instructions, you are now in possession of my worldly estate, my soap collection, my factory, my Masonic aprons, my treehouse. I imagine you have already appropriated my style. I wonder where my style has led you. As I stand on this last springy diving board I wonder where my style has led me.

I am writing this last letter in the Occupational Therapy Room. I have let women lead me anywhere, and I am not sorry. Convents, kitchens, perfumed telephone booths, poetry courses–I followed women anywhere. I followed women into Parliament because I know how they love power. I followed women into the beds of men so that I could learn what they found there. The air is streaked with the smoke of their perfume. The world is clawed with their amorous laughter. I followed women into the world, because I loved the world. Breasts, buttocks, everywhere I followed the soft balloons. When women hissed at me from brothel windows, when they softly hissed at me over the shoulders of their dancing husbands, I followed them and I sank down with them, and sometimes when I listened to their hissing I knew it was nothing but the sound of the withering and collapse of their soft balloons.

This is the sound, this hissing, which hovers over every woman. There is one exception. I knew one woman who surrounded herself with a very different noise, maybe it was music, maybe it was silence. I am speaking, of course, about our Edith. It is five years now that I have been buried. Surely you know by now that Edith could not belong to you alone.

I followed the young nurses to Occupational Therapy. They have covered the soft balloons with starched linen, a pleasant tantalising cover which my old lust breaks as easily as an eggshell. I have followed their dusty white legs.

Men also give off a sound. Do you know what our sound is, dear frayed friend? It is the sound you hear in male sea shells. Guess what it is. I will give you three guesses. You must fill in the lines. The nurses like to see me use my ruler.

  1. __________________________
  2. __________________________
  3. __________________________

The nurses like to lean over my shoulder and watch me use my red plastic ruler. They hiss through my hair and their hisses have the aroma of alcohol and sandalwood, and their starched clothes crackle like the white tissue paper and artificial straw which creamy chocolate Easter eggs come in.

Oh, I am happy today. I know that these pages will be filled with happiness. Surely you did not think that I would leave you with a melancholy gift.

Well, what are your answers? Isn’t it remarkable that I have extended your training over this wide gulf?

It is the very opposite of a hiss, the sound men make. It is Shhh, the sound made around the index finger raised to the lips. Shhh, and the roofs are raised against the storm. Shhh, the forests are cleared so the wind will not rattle the trees. Shhh, the hydrogen rockets go off to silence dissent and variety. It is not an unpleasant noise. It is indeed a perky tune, like the bubbles above a clam. Shhh, will everybody listen, please. Will the animals stop howling, please. Will the belly stop rumbling, please. Will Time call off its ultrasonic dogs, please.

It is the sound my ball pen makes on the hospital paper as I run it down the edge of the red ruler. Shhh, it says to the billion unlines of whiteness. Shhh, it whispers to the white chaos, lie down in dormitory rows. Shhh, it implores the dancing molecules, I love dances but I do not love foreign dances, I love dances that have rules, my rules.

Did you fill in the lines, old friend? Are you sitting in a restaurant or a monastery as I lie underground? Did you fill in the lines? You didn’t have to, you know. Did I trick you again?

Now what about this silence we are so desperate to clear in the wilderness? Have we laboured, ploughed, muzzled, fenced so that we might hear a Voice? Fat chance. The Voice comes out of the whirlwind, and long ago we hushed the whirlwind. I wish that you would remember that the Voice comes out of the whirlwind. Some men, some of the time, have remembered. Was I one?

Segundo Livro: Uma longa carta de F.Tradução por Mariana Ruggieri

Meu querido amigo,

Cinco anos com o comprimento de cinco anos. Não sei ao certo onde é que esta carta te encontra. Eu presumo que tenha pensado em mim com freqüência. Você sempre foi o meu órfão masculino preferido. Ah, muito mais que isso, muito mais, mas não pretendo, nessa minha última comunicação escrita, me gastar em fáceis afetos.

Se meus advogados agiram de acordo com as minhas instruções, você deve estar agora em posse da minha propriedade mundana, minha coleção de sabão, minha fábrica, meus aventais maçônicos, minha casa na árvore. Eu imagino que você já tenha se apropriado de meu estilo. Gostaria de saber aonde o meu estilo te levou. Enquanto me equilibro nesse último trampolim de salto, faço considerações sobre aonde o meu estilo me levou.

Estou escrevendo essa última carta na Sala de Terapia Ocupacional. Tenho deixado as mulheres me levarem para qualquer lugar, e não me arrependo. Conventos, cozinhas, cabines de telefone perfumadas, cursos de poesia – eu segui as mulheres para qualquer lugar. Segui mulheres ao Parlamento, pois sei como elas gostam de poder. Segui mulheres às camas de homens para ver o que elas encontravam lá. O ar está marcado com a fumaça de seus perfumes. O mundo está arranhado com as suas risadas amorosas. Segui mulheres ao mundo, porque eu amava o mundo. Peitos, bundas, por todo lugar eu segui os balões macios. Quando as mulheres silvavam para mim das janelas de bordéis, quando elas delicadamente silvavam para mim pelas costas de seus maridos dançantes, eu as segui e com elas afundei, e às vezes quando eu ouvia os seus silvos eu sabia que não era nada mais que o barulho e o colapso de seus balões macios.

É esse o som, esse silvo, que paira sobre todas as mulheres. Existe uma exceção. Eu conheci uma mulher que se rodeava com um barulho muito diferente, talvez fosse música, talvez fosse silêncio. Falo, é claro, de nossa Edith. Faz cinco anos agora que estou enterrado. De certo você sabe agora que Edith não poderia pertencer a você apenas.

Eu segui as jovens enfermeiras para a Terapia Ocupacional. Elas cobriram os balões macios com linho engomado, uma coberta agradável e tentadora que meu velho desejo rompe com a mesma facilidade que uma casca de ovo. Eu tenho seguido as suas brancas pernas empoeiradas.

Os homens também emitem um som. Você sabe qual o nosso som, querido desgastado amigo? É o barulho que se ouve em conchas masculinas. Adivinhe o que é. Te darei três chances. Você deve preencher as linhas. A enfermeira gosta de me ver usar a régua.

  1. ___________________________
  2. ___________________________
  3. ___________________________

As enfermeiras gostam de se debruçar sobre o meu ombro e me ver usar a minha régua vermelha de plástico. Elas silvam no emaranhado dos meus cabelos e seus silvos têm aroma de álcool e de sândalo, e suas roupas engomadas estalam como o papel crepom e a palha artificial que envolvem ovos de páscoa cremosos.

Ah, estou feliz hoje. Sei que essas páginas serão repletas de felicidade. Certamente você não pensou que eu o deixaria com um presente melancólico.

Então, quais foram as suas respostas? Não é impressionante que eu tenha estendido o seu treinamento por esse largo golfo?

É o extremo oposto de um silvo o barulho que fazem os homens. É Shhh, esse som feito ao redor do dedo indicador erguido aos lábios. Shhh, e os telhados estão erguidos contra as tempestades. Shhh, as florestas estão devastadas para que o vento não chacoalhe as árvores. Shhh, os mísseis de hidrogênio disparam para silenciar o dissenso e a variedade. Não é um barulho desagradável. É de fato uma melodia alegre, como as bolhas sobre a ostra. Shhh, prestem atenção todos, por favor. Os animais podem parar de uivar, por favor? A barriga pode parar com esses estrondos, por favor? O tempo pode cancelar seus cães ultrassônicos, por favor?

É o barulho que a minha caneta esferográfica faz no papel hospitalar enquanto eu a percorro contra a régua vermelha. Shhh, ela fala para as bilhares de não-linhas brancas. Shhh, ela cochicha para o caos branco, deite-se nas fileiras do dormitório. Shhh, ela implora às moléculas dançantes, eu adoro dançar, mas não gosto das danças estrangeiras, eu adoro danças que têm regras, as minhas regras.

Você preencheu as linhas, velho amigo? Você está sentado em um restaurante ou em um monastério enquanto eu estou debaixo do solo? Você preencheu as linhas? Sabe, você não precisava. Será que te enganei de novo?

E esse silêncio que estamos desesperados para arrefecer em terra selvagem? Será que trabalhamos, aramos, amordaçamos, cercamos para a possibilidade de ouvir a Voz? Evidente que não. A voz sai do redemoinho, e há muito silenciamos o redemoinho. Eu gostaria que você lembrasse que a Voz sai do redemoinho. Alguns homens, algumas vezes, se lembraram. Fui um deles?

Fürsprecher, de Franz Kafka

Fürsprecher

de Franz Kafka

Es war sehr unsicher, ob ich Fürsprecher hatte, ich konnte nichts Genaues darüber erfahren, alle Gesichter waren abweisend, die meisten Leute, die mir entgegenkamen, und die ich wieder und wieder auf den Gängen traf, sahen wie alte dicke Frauen aus, sie hatten große, den ganzen Körper bedeckende, dunkelblau und weiß gestreifte Schürzen, strichen sich den Bauch und drehten sich schwerfällig hin und her. Ich konnte nicht einmal erfahren, ob wir in einem Gerichtsgebäude waren. Manches sprach dafür, vieles dagegen. Über alle Einzelheiten hinweg erinnerte mich am meisten an ein Gericht ein Dröhnen, das unaufhörlich aus der Ferne zu hören war, man konnte nicht sagen, aus welcher Richtung es kam, es erfüllte so sehr alle Räume, daß man annehmen konnte, es komme von überall oder, was noch richtiger schien, gerade der Ort, wo man zufällig stand, sei der eigentliche Ort dieses Dröhnens, aber gewiß war das eine Täuschung, denn es kam aus der Ferne. Diese Gänge, schmal, einfach überwölbt, in langsamen Wendungen geführt, mit sparsam geschmückten hohen Türen, schienen sogar für tiefe Stille geschaffen, es waren die Gänge eines Museums oder einer Bibliothek. Wenn es aber kein Gericht war, warum forschte ich dann hier nach einem Fürsprecher? Weil ich überall einen Fürsprecher suchte, überall ist er nötig, ja man braucht ihn weniger bei Gericht als anderswo, denn das Gericht spricht sein Urteil nach dem Gesetz, sollte man annehmen. Sollte man annehmen, daß es hierbei ungerecht oder leichtfertig vorgehe, wäre ja kein Leben möglich, man muß zum Gericht das Zutrauen haben, daß es der Majestät des Gesetzes freien Raum gibt, denn das ist seine einzige Aufgabe, im Gesetz selbst aber ist alles Anklage, Fürspruch und Urteil, das selbständige Sicheinmischen eines Menschen hier wäre Frevel. Anders aber verhält es sich mit dem Tatbestand eines Urteils, dieser gründet sich auf Erhebungen hier und dort, bei Verwandten und Fremden, bei Freunden und Feinden, in der Familie und in der Öffentlichkeit, in Stadt und Dorf, kurz überall. Hier ist es dringend nötig, Fürsprecher zu haben, Fürsprecher in Mengen, die besten Fürsprecher, einen eng neben dem andern, eine lebende Mauer, denn die Fürsprecher sind ihrer Natur nach schwer beweglich, die Ankläger aber, diese schlauen Füchse, diese flinken Wiesel, diese unsichtbaren Mäuschen, schlüpfen durch die kleinsten Lücken, huschen zwischen den Beinen der Fürsprecher durch. Also Achtung! Deshalb bin ich ja hier, ich sammle Fürsprecher. Aber ich habe noch keinen gefunden, nur die alten Frauen kommen und gehn, immer wieder; wäre ich nicht auf der Suche, es würde mich einschläfern. Ich bin nicht am richtigen Ort, leider kann ich mich dem Eindruck nicht verschließen, daß ich nicht am richtigen Ort bin. Ich müßte an einem Ort sein, wo vielerlei Menschen zusammenkommen, aus verschiedenen Gegenden, aus allen Ständen, aus allen Berufen, verschiedenen Alters, ich müßte die Möglichkeit haben, die Tauglichen, die Freundlichen, die, welche einen Blick für mich haben, vorsichtig auszuwählen aus einer Menge. Am besten wäre dazu vielleicht ein großer Jahrmarkt geeignet. Statt dessen treibe ich mich auf diesen Gängen umher, wo nur diese alten Frauen zu sehn sind, und auch von ihnen nicht viele, und immerfort die gleichen und selbst diese wenigen, trotz ihrer Langsamkeit, lassen sich von mir nicht stellen, entgleiten mir, schweben wie Regenwolken, sind von unbekannten Beschäftigungen ganz in Anspruch genommen. Warum eile ich denn blindlings in ein Haus, lese nicht die Aufschrift über dem Tor, bin gleich auf den Gängen, setze mich hier mit solcher Verbohrtheit fest, daß ich mich gar nicht erinnern kann, jemals vor dem Haus gewesen, jemals die Treppen hinaufgelaufen zu sein. Zurück aber darf ich nicht, diese Zeitversäumnis, dieses Eingestehn eines Irrwegs wäre mir unerträglich. Wie? In diesem kurzen, eiligen, von einem ungeduldigen Dröhnen begleiteten Leben eine Treppe hinunterlaufen? Das ist unmöglich. Die dir zugemessene Zeit ist so kurz, daß du, wenn du eine Sekunde verlierst, schon dein ganzes Leben verloren hast, denn es ist nicht länger, es ist immer nur so lang, wie die Zeit, die du verlierst. Hast du also einen Weg begonnen, setze ihn fort, unter allen Umständen, du kannst nur gewinnen, du läufst keine Gefahr, vielleicht wirst du am Ende abstürzen, hättest du aber schon nach den ersten Schritten dich zurückgewendet und wärest die Treppe hinuntergelaufen, wärst du gleich am Anfang abgestürzt und nicht vielleicht, sondern ganz gewiß. Findest du also nichts hier auf den Gängen, öffne die Türen, findest du nichts hinter diesen Türen, gibt es neue Stockwerke, findest du oben nichts, es ist keine Not, schwinge dich neue Treppen hinauf. Solange du nicht zu steigen aufhörst, hören die Stufen nicht auf, unter deinen steigenden Füßen wachsen sie aufwärts.

Advogados

Tradução de  Tomaz Amorim

Era bastante incerto se eu tinha advogado, eu não conseguia saber com certeza, todos os rostos eram inamistosos, a maioria das pessoas que se aproximavam, e que eu encontrava nos corredores de novo e de novo, pareciam com velhas senhoras gordas, todas cobertas de grandes aventais listrados de azul-marinho e branco, alisavam a barriga e viravam-se pesadamente para lá para cá. Eu não tinha a mínima idéia se estávamos no prédio de um tribunal. Algo dizia que sim, muito que não. Dos vários detalhes no meio do caminho, o que mais me lembrava de um tribunal era um zumbido, que soava inaudível de longe. Não se podia dizer de que direção ele vinha, ele preenchia tão completamente o espaço, que se podia acreditar que ele vinha de todos os lados, ou o que parecia ainda mais certo, que o verdadeiro lugar deste zumbido era o exatamente o lugar sobre o qual se estava, mas isto era um engano, ele vinha mesmo era de longe. Estes corredores, estreitos e abobadados, formados em curvas lentas, com portas altas e economicamente adornadas, pareciam até mesmo criados para o silêncio, eram como corredores de um museu ou de uma biblioteca. Mas se não era tribunal, por que então eu procurava ali por um advogado? Porque eu procurava por um advogado em todos os lugares. Em todos os lugares ele é necessário, até se precisa menos dele no tribunal do que fora dele, pois deveria ser aceito que o tribunal profere seu julgamento dentro da lei. Deveria ser aceito que, procedesse aqui o injusto ou o leviano, já não seria possível vida alguma; é necessário ter a confiança no tribunal de que ele abre espaço para a majestade da lei, porque esta é sua única função, já que na lei mesma, tudo é apenas acusação, defesa e julgamento, aqui o intrometer-se autônomo de uma pessoa seria um sacrilégio. O tribunal se comporta de maneira diferente, no entanto, em relação aos fatos do julgamento. Estes são fundados em levantamentos aqui e lá, com parentes e estranhos, amigos e inimigos, na família e no espaço público, na cidade e no campo, resumindo, em todo o lugar. Aqui é urgentemente necessário ter advogados, advogados em massa, os melhores advogados, um espremido ao lado do outro, uma muralha viva, pois se os advogados são lentos por natureza, os promotores, por outro lado, estas raposas astutas, estas doninhas velozes, estes ratinhos invisíveis, se enfiam pelos menores buracos, escapolem por entre as pernas dos advogados. Portanto, atenção! Por isso é que estou aqui, eu coleciono advogados. Mas eu ainda não encontrei nenhum, só as velhas senhoras vêm e vão, o tempo inteiro; se eu não estivesse procurando, já teria adormecido. Eu não estou no lugar correto, infelizmente eu não consigo tirar de mim esta impressão de que não estou no lugar correto. Eu deveria estar em um lugar onde diversas pessoas, de diferentes regiões, de todas as camadas, de todas as profissões, de diferentes idades, se encontram, eu deveria ter a chance de selecionar cuidadosamente da multidão aqueles adequados, aqueles amigáveis, aqueles que me olhem por um momento. O mais adequado para isso seria talvez uma grande feira anual. Ao invés disso, eu me arrasto por estes corredores, onde se vê apenas estas velhas senhoras, e já delas não muito, e sempre as mesmas e mesmo destas pouco, pois, apesar de sua lentidão, elas não se deixam interrogar, deslizam através de mim, flutuam como nuvens, estão completamente absorvidas em atividades desconhecidas. Por que então me apresso cegamente por uma casa e não leio a inscrição sobre a porta? Estou já nos corredores, me sento aqui com uma obstinação tão determinada que já nem consigo me lembrar de ter estado diante da casa, de ter subido as escadas. Voltar, no entanto, eu não devo, este tempo perdido, esta confissão de erro seria para mim insuportável. Como? Nesta vida curta, fugaz, enganado por um zumbido impaciente, descer uma escada? Isto é impossível. O tempo reservado para você é tão pequeno, que se você perde um segundo, já perdeu sua vida inteira, pois ela não é maior, é apenas tão grande quanto o tempo que você perdeu. Se você já começou um caminho, mantenha-se nele, sob todas as circunstâncias, você só tem a ganhar, você não corre perigo, você irá, talvez, bater no fim, mas se tivesse voltado após os primeiros passos e tivesse descido as escadas, teria batido já no começo e não apenas talvez, mas com toda certeza. Pois, então, se não encontrar nada aqui nos corredores, abra as portas. Não encontra nada atrás destas portas? Existem novos andares. Não encontra nada em cima? Não há problema, lance-se sobre novas escadas. Enquanto você não parar de subir, não pararão os andares, sob seus pés erguidos eles continuam a crescer para cima.