Ozymandias, de Percy Shelley

ozymandias

Ozymandias
Tradução: Fernando J. Germano Esteves

Ao me deter, um viajor de país incerto
Me relatou o que segue: “ duas pernas
De estátua antiga jazem no deserto;
Bem perto, na areia, o rosto se prosterna:
O cenho, o lábio crispado e o olhar gélido,
Carregado de escárnio, revelam que o artista
Conhecia bem todos aqueles indícios
De tormentos gravados na matéria fria
Que conserva desde então os resquícios
Da mão que zombava e do coração que nutria.
E na base dela, a seguinte inscrição:
Eu sou Ozymandias, maior entre os egípcios.
Contemplem minhas obras e percam a razão!
Ao meu redor nada que não seja ruína,
Destroços do império na vasta imensidão
Do deserto que tomará tudo um dia.

Ozymandias
Percy Shelley

I met a traveller from an antique land
Who said:—Two vast and trunkless legs of stone
Stand in the desert. Near them on the sand,
Half sunk, a shatter’d visage lies, whose frown
And wrinkled lip and sneer of cold command
Tell that its sculptor well those passions read
Which yet survive, stamp’d on these lifeless things,
The hand that mock’d them and the heart that fed.
And on the pedestal these words appear:
“My name is Ozymandias, king of kings:
Look on my works, ye mighty, and despair!”
Nothing beside remains: round the decay
Of that colossal wreck, boundless and bare,
The lone and level sands stretch far away.

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Ozymandias, de Percy Shelley

Ozymandias – Percy Bysshe Shelley

I met a traveller from an antique land
Who said: – Two vast and trunkless legs of stone
Stand in the desert. Near them on the sand,
Half sunk, a shatter’d visage lies, whose frown

And wrinkled lip and sneer of cold command
Tell that its sculptor well those passions read
Which yet survive, stamp’d on these lifeless things,
The hand that mock’d them and the heart that fed.

And on the pedestal these words appear:
“My name is Ozymandias, king of kings:
Look on my works, ye mighty, and despair!”

Nothing beside remains: round the decay
Of that colossal wreck, boundless and bare,
The lone and level sands stretch far away.

Ozymandias – Tomaz Amorim Izabel

Conheci um viajante de antiga terra
que disse: – Duas pernas destroncadas, pétreas,
estão no deserto. Perto delas, soterra
a areia meia face despedaçada,

cujo lábio firme e poderio de olhar, frio,
diz que seu escultor bem lhe leu as paixões
que sobrevivem, nas meras coisas sem vida,
à mão que zombou e ao coração que nutriu.

E no pedestal tais palavras aparecem:
“Meu nome é Ozymandias, o rei dos reis:
Vejam minhas obras, ó fortes – desesperem-se!”

Nada resta: junto à ruína decadente
e colossal, de ilimitada aridez,
areias, lisas e sós, ao longe se estendem.