Cinco poemas de Maria Luise Weissmann

weissmann

Tradução por: Tomaz Amorim Izabel

Meus olhos

Quando Tu vens
se reviram meus olhos
para dentro do escuro
como os dos mortos.

Desde que deixaram entrar a Ti:
os traidores –
agora vivem sempre
sob guilhotina.

Meine Augen

Wenn Du kommst
Müssen meine Augen
Ins Dunkel kehren
Wie in den Tod.

Seit sie Dich einließen:
Verräterinnen –
Nun leben sie immer
Unterm Beil.

Paisagem plana

A terra veio, cinza, como um rio
Sem represa a segurar sua cheia,
derramada por sobre morro e vale e sítio.
Lá, onde a fina linha o horizonte clareia,
uma árvore. Desenraizada. Que cai no vazio.

Ebene Landschaft
 
Die Erde kam, ein grauer Strom, geflossen.
Kein Damm, der ihre Flut zusammenhält,
Sie hat sich über Berg und Tal und Haus ergossen.
Fern, wo ein schmaler Strich den Horizont erhellt,
Ein Baum. Entwurzelt. Der ins Leere fällt.

Mas abra-os…

Mas estes portões, abra-os somente,
mas pise somente no limiar,
mal levante os olhos e experimente
já a claridade descomunal,
já o fulgor dos vazios espaços,
que florescem rápido como a relva,
já o bailado dos sonhos pesados,
que flamejariam, que se elevam…
Comovente onda a revigorar,
veja, nenhum sopro que não movente –
mas pise somente no limiar,
Mas estes portões, abra-os somente!

Aber öffne …
 
Aber öffne nur die Türe,
Aber tritt nur auf die Schwelle,
Hebe kaum den Blick und spüre
Schon die ungeheure Helle,
Schon den Glanz der leeren Räume,
Die wie Wiese rasch erblühten,
Schon den Tanz der schweren Träume,
Die sich hoben, die erglühten …
Zärtliche beschwingte Welle,
Sieh, kein Lufthauch, der nicht rühre – –
Aber tritt nur auf die Schwelle,
Aber öffne nur die Türe!

Fim de ano

Você, ano grisalho: corre rumo ao alvo
mais veloz e veloz, buscando pelo calmo
morrer que seja sem limites e profundo.
Mas veja: eu corro mais rápido, rumo ao rubro
da nova manhã, ávida, à sua frente.
Ó, venha! Apague, apague! Adiante!
Marcada, maculada, sobrecarregada,
por grandes cansaços e dores soterrada –
Passe – Eu irei! Morra – que eu, então, vou
tentar ressuscitar: Ó, dia puro e novo!

Jahres-Ende

Du greises Jahr: du eilst, dem Ziele zu
Rascher und rascher, sehnst dich nach der Ruh
In einem tiefen grenzenlosen Tod.
Doch sieh: ich eile schneller, nach dem Rot
Des neuen Morgens gierig, dir voraus.
O komm! Hinübergeh! Lösch aus, lösch aus!
Gezeichnetes, Beladenes, befleckt
Mit großer Müdigkeit, mit Schmerz bedeckt –
Vergeh – ich werde! Stirb – und ich vermag
Aufzuerstehn: o neuer, reinster Tag!

 

O carrossel

Eles parados, mudos, escutando os sons
de instrumentos desafinados, em profundo
sono: os animais coloridos, lindos, tensos.
Ao encontrar um olhar infantil em dor,

acordaram. A juba do leão voou
no vento. Assim soou das presas da elefanta
o toque dos sinos. A tromba bramiu. Foi
o trem comprido em orgulhosa caravana.

Diante de sua abrupta partida havia
matas de palmeiras, envoltas de aventura,
com fogos de luz atirava o quente dia,
e os cactos queimavam, descomunais, púrpuras.

Das Karussell

Sie standen stumm und lauschten dem Getön
Verstimmter Instrumente tief in Schlaf:
Die starren Tiere, bunt und wunderschön.
Da sie ein Kinderblick in Schmerz betraf,

Erwachten sie. Die Löwenmähne flog
Im Wind. So klang vom Elefantenzahn
Geläut der Schellen. Rüssel schnob. Es zog
In langem Zug die stolze Karawane

Dahin. Vor ihrem steilen Aufbruch lag
Ein Palmenwald, verstrickt in Abenteuer,
Aus Lichtraketen schoß der heiße Tag,
Kakteen brannten, purpurn, ungeheuer.