Alicerces, de Maggie Smith

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Alicerces, tradução por Stella Paterniani

A vida é curta, mas isso eu não conto às minhas filhas.
A vida é curta, e a minha eu encurtei
com mil maneiras deliciosas, imprudentes,
mil maneiras deliciosamente imprudentes
que não contarei às minhas filhas. O mundo é no mínimo
cinquenta por cento terrível, e olhe essa estimativa
é conservadora, embora eu não conte às minhas filhas.
Para cada passarinho há uma pedra estilingada num passarinho.
Para cada criança amada, uma criança despedaçada, ensacada,
submersa num lago. A vida é curta e pelo menos
metade do mundo é horrível, e para cada gentil
desconhecido, há um que te destroçaria,
mas isso eu não conto às minhas filhas. Tento
vender-lhes o mundo. Qualquer corretor de imóveis hábil,
ao te abrir a porta de uma espelunca, tagarela sobre
os alicerces: esse lugar poderia ser lindo,
né não? Você poderia fazer daqui um lugar maravilhoso.

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Good bones, de Maggie Smith

Life is short, though I keep this from my children.
Life is short, and I’ve shortened mine
in a thousand delicious, ill-advised ways,
a thousand deliciously ill-advised ways
I’ll keep from my children. The world is at least
fifty percent terrible, and that’s a conservative
estimate, though I keep this from my children.
For every bird there is a stone thrown at a bird.
For every loved child, a child broken, bagged,
sunk in a lake. Life is short and the world
is at least half terrible, and for every kind
stranger, there is one who would break you,
though I keep this from my children. I am trying
to sell them the world. Any decent realtor,
walking you through a real shithole, chirps on
about good bones: This place could be beautiful,
right? You could make this place beautiful.

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