Dois poemas sobre a Rússia, de Lou Andreas-Salomé

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Velha Rússia

Descansas, parece, em materno leito,
Seu desespero a ser compreendido,
Tão infantis parecem os seus feitos,
noutros tão floridos.

Vês coloridas ainda as moradas,
quando brincavas, mesmo na miséria:
rubro, azul, verde e branco, hera dourada
suas cores eram.

Ainda assim, quem te olhar com astúcia
se maravilha pelo despudor:
Uma criança construiu a Rússia
aos pés do Senhor.


Volga

Mesmo longe: ainda assim eu Te vejo
Mesmo longe: permaneces comigo
Como um presente que não é cortejo
Como paisagem em torno do umbigo.

Nunca tivesse estado em suas beiras
conheceria sua imensidão,
desembarcada em oníricas cheias
na sua descomunal solidão.

 

Tradução: Tomaz Amorim Izabel

 

Altrußland

Du scheinst in Mutterhut zu ruhn,
Dein Elend kaum noch zu begreifen,
So kindhaft scheint noch all Dein Tun,
Wo andre reifen.

Wie stehn Dir noch die Häuser bunt,
Als spieltest Du sogar im Darben:
Rot, grün, blau, weiß auf goldnem Grund
Sind Deine Farben.

Und doch: wer lang darauf geschaut,
Enthält ehrfürchtig sich des Spottes:
Ein Kind hat Rußland hingebaut
Zu Füßen Gottes.

 

Wolga

Bist Du auch fern: ich schaue Dich doch an,
Bist Du auch fern: mir bleibst Du doch gegeben –
Wie eine Gegenwart, die nicht verblassen kann.
Wie meine Landschaft liegst Du um mein Leben.

Hätt ich an Deinen Ufern nie geruht:
Mir ist, als wüßt ich doch um Deine Weiten,
Als landete mich jede Traumesflut
An Deinen ungeheuren Einsamkeiten.

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