Viagem a Nova Iorque, de Ernesto Cardenal, traduzido por Mariana Ruggieri

cardenal

Ernesto Cardenal, poeta nicaraguense nascido em 1925, foi padre, participou da luta sandinista e é devoto da teologia da libertação. Seu poema “Viaje a Nueva York” é um poema-documentário ou um poema-reportagem de fôlego e descreve uma visita sua a Nova Iorque nos turbulentos anos 70.

O professor Amalfitano, personagem de Roberto Bolaño, diz em Los sinsabores del verdadero policía que “Viaje a Nueva York” é um dos dois maiores poemas modernos da América Latina, ao lado de “El soliloquio del individuo” de Nicanor Parra. Independente do que se possa pensar a respeito de tais formas de hierarquizar e categorizar a poesia, “Viaje a Nueva York” é certamente um poema importante e vivo. Ernesto Cardenal também é homenageado em outro poema de Roberto Bolaño, “Ernesto Cardenal y yo”, onde se pergunta: Padre, en el Reino de los Cielos / que es el comunismo, / ¿tienen un sitio los homosexuales? A resposta é sim.

Devido à extensão do poema, clique no link abaixo para abrir o arquivo pdf.

Viagem a Nova Iorque

Confira um trecho do poema:

“Museum of Modern Art. Sem tempo de entrar. E para quê?
Frank O’Hara trabalhava aqui. Sua poesia ele fazia
        na hora do lunch — sandwiches e Coca Cola.
Uma vez nos escrevemos.
Agora comprei no Brentano’s seu LUNCH POEMS ($1.50)
e os automóveis me fazem lembrar de sua morte
   atropelado em Nova Iorque (na hora do lunch?)
                     WALK — DON’T WALK”

 

“Se não rola de comer você tem que”, de e.e. cummings

cummings

(Tradução de Mariana Ruggieri)

Se não rola de comer você tem que

fumar e a gente não tem
nada pra fumar: bora boy

bora dormir
se não rola de fumar você tem que

Cantar e a gente não tem

nada pra cantar; bora boy
bora dormir

se não rola de cantar você tem que
morrer e a gente não tem

Nada pra morrer, bora boy

bora dormir
se não rola de morrer você tem que

sonhar e a gente não tem
nada pra sonhar (bora boy

Bora dormir)
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If you can’t eat you got to

smoke and we aint got
nothing to smoke:come on kid

let’s go to sleep
if you can’t smoke you got to

Sing and we aint got

nothing to sing;come on kid
let’s go to sleep

if you can’t sing you got to
die and we aint got

Nothing to die,come on kid

let’s go to sleep
if you can’t die you got to

dream and we aint got
nothing to dream(come on kid

Let’s go to sleep)

Fracassos no infinitivo, de Bernadette Mayer

bernadette-mayer

Fracassos no infinitivo

Tradução: Mariana Ruggieri

por que estou fazendo isso? Fracasso para
manter meu trabalho em ordem para então
poder encontrar coisas para
pintar a casa para
ganhar dinheiro suficiente para viver para
reorganizar a casa para então
poder pintar a casa & para
poder encontrar coisas e
ganhar dinheiro suficiente para então
poder costurar livros para
publicar obras e livros para
ter tempo para
responder correspondências & telefonemas para
lavar as janelas para
tornar a cozinha melhor para o trabalho para
ter dinheiro para comprar um rádio simples para
escutar enquanto trabalho na cozinha para
saber o suficiente para fazer no mundo o trabalho adulto para
transcender minha atitude para
uma pobreza compulsória para
poder esperar os cheques
chegar a tempo pelo correio para
não sempre esperar que eles não vão para
esquecer as atitudes da minha mãe com a humildade ou para
continuar a
assumir sem sofrer para
esquecer como minha mãe enlouquecia meu pai
com dinheiro, minha irmã sobre não posso dizer
fracasso para esquecer mãe e pai o suficiente para
ser mais velha, para esquecer para
esquecer meu tio obssessivo para
lembrar de outra maneira para
lembrar com precisão seus preconceitos para
cessar de sonhar com leões que para sempre é
sonhar com eles, eu coloco minha mão na boca do leão para
arrefecer sua raiva, isso não é um fracasso para
perceber que eles eram assim; fracasso para
trocar de planta os vasos para
ser organizada para
criar & manter superfícies limpas para
deixar um sofá ou uma cadeira ser um lugar para sentar
e não uma mesa para
deixar a mesa ser um lugar para comer & não uma escrivaninha para
escutar mais música popular para
aprender as letras para
não precisar de dinheiro para então
poder escrever o tempo todo para
não ter que pagar aluguel, condomínio ou contas de telefone
esquecer a morte precoce de pais e tios para então
ficar livre de esperar cuidados; fracasso para
amar objetos
encontrar neles qualquer valor; fracasso para
preservar objetos
comprar objetos e
agora deixar caídos na sarjeta; fracasso para
pensar em poemas como objetos
pensar o corpo como um objeto; fracasso para
acreditar; fracasso para
saber nada; fracasso para
saber tudo; fracasso para
lembrar como soletrar fracasso; fracasso para
acreditar no dicionário & que há algo para
alcançar; fracasso para
ensinar direito; fracasso para
acreditar no ensino para
só achar que todo mundo sabe tudo
que não é o meu fracasso; eu sei que todo mundo sabe; fracasso para
ver que não todo mundo acredita nesse saber e
pensar que não podemos durar até o sucesso do saber
lavar toda a louça leva apenas dez minutos
escrever mil poemas em uma hora para
fazer um épico, abra a janela suja para
deixar entrar você sabe quem e para
expirar pensamentos e poemas longe dos problemas para
deixar a gente saber, a gente deixa para
pintar seus tetos & paredes de graça

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Failures in Infinitives

Bernadette Mayer

why am i doing this? Failure
to keep my work in order so as
to be able to find things
to paint the house
to earn enough money to live on
to reorganize the house so as
to be able to paint the house &
to be able to find things and
earn enough money so as
to be able to put books together
to publish works and books
to have time
to answer mail & phone calls
to wash the windows
to make the kitchen better to work in
to have the money to buy a simple radio
to listen to while working in the kitchen
to know enough to do grownups work in the world
to transcend my attitude
to an enforced poverty
to be able to expect my checks
to arrive on time in the mail
to not always expect that they will not
to forget my mother’s attitudes on humility or
to continue
to assume them without suffering
to forget how my mother taunted my father
about money, my sister about i cant say it
failure to forget mother and father enough
to be older, to forget them
to forget my obsessive uncle
to remember them some other way
to remember their bigotry accurately
to cease to dream about lions which always is
to dream about them, I put my hand in the lion’s mouth
to assuage its anger, this is not a failure
to notice that’s how they were; failure
to repot the plants
to be neat
to create & maintain clear surfaces
to let a couch or a chair be a place for sitting down
and not a table
to let a table be a place for eating & not a desk
to listen to more popular music
to learn the lyrics
to not need money so as
to be able to write all the time
to not have to pay rent, con ed or telephone bills
to forget parents’ and uncle’s early deaths so as
to be free of expecting care; failure
to love objects
to find them valuable in any way; failure
to preserve objects
to buy them and
to now let them fall by the wayside; failure
to think of poems as objects
to think of the body as an object; failure
to believe; failure
to know nothing; failure
to know everything; failure
to remember how to spell failure; failure
to believe the dictionary & that there is anything
to teach; failure
to teach properly; failure
to believe in teaching
to just think that everybody knows everything
which is not my failure; I know everyone does; failure
to see not everyone believes this knowing and
to think we cannot last till the success of knowing
to wash all the dishes only takes ten minutes
to write a thousand poems in an hour
to do an epic, open the unwashed window
to let in you know who and
to spirit thoughts and poems away from concerns
to just let us know, we will
to paint your ceilings & walls for free

Planetário, de Adrienne Rich

adrienne

Planetário, tradução por Mariana Ruggieri

[Pensando em Caroline Herschel (1750-1848)
astrônoma, irmã de William; e outras.]

Mulher em forma de monstro
monstro em forma de mulher
os céus estão cheios delas

mulher ‘na neve
entre os Relógios e instrumentos
ou medindo o chão com varas‘

seus 98 anos para descobrir
8 cometas

mulher ela que a lua regia
como nós
levitando à noite-céu
montando lentes polidas

Galáxias de mulheres, ali
cumprindo penitência pelo ímpeto
costelas arrepiadas
naquele lugar das ideias

Um olho

‘viril, preciso e absolutamente certeiro‘
das teias loucas de Uranusborg

encontrando a NOVA

todo impulso de luz explosão

do caroço
à medida que a vida voa

Tycho finalmente sussurra
‘Que eu não pareça ter vivido em vão’

O que vemos, vemos
e ver é cambiar

a luz que encolhe a montanha
e deixa vivo um homem

Heartbeat e o pulsar
coração suando pelo corpo

O impulso de rádio
de Taurus entornando

Bombardeada ainda assim em pé

Em pé minha vida toda no
caminho direto de uma bateria de sinais
mais precisamente transmitido mais
intraduzível língua no universo
Sou nuvem galáctica tão profunda tão invo-
lutosa que a onda de luz poderia levar 15
anos para viajar por mim E vem
levando Sou instrumento com forma
de mulher tentando traduzir pulsos
em imagens para o alívio do corpo
e a remontagem das ideias.

**********************************

Planetarium, de Adrienne Rich

[Thinking of Caroline Herschel (1750—1848)
astronomer, sister of William; and others.]

A woman in the shape of a monster
a monster in the shape of a woman
the skies are full of them

a woman ‘in the snow
among the Clocks and instruments
or measuring the ground with poles’

in her 98 years to discover
8 comets

she whom the moon ruled
like us
levitating into the night sky
riding the polished lenses

Galaxies of women, there
doing penance for impetuousness
ribs chilled
in those spaces of the mind

An eye,

‘virile, precise and absolutely certain’
from the mad webs of Uranusborg

encountering the NOVA

every impulse of light exploding

from the core
as life flies out of us

Tycho whispering at last
‘Let me not seem to have lived in vain’

What we see, we see
and seeing is changing

the light that shrivels a mountain
and leaves a man alive

Heartbeat of the pulsar
heart sweating through my body

The radio impulse
pouring in from Taurus

I am bombarded yet I stand

I have been standing all my life in the
direct path of a battery of signals
the most accurately transmitted most
untranslatable language in the universe
I am a galactic cloud so deep so invo-
luted that a light wave could take 15
years to travel through me And has
taken I am an instrument in the shape
of a woman trying to translate pulsations
into images for the relief of the body
and the reconstruction of the mind.

Algodão que se perde no campo, de Frank Stanford

frank_stanford

Algodão que se perde no campo, tradução por Mariana Ruggieri

Um pouco de uísque ruim
que eu tomo sozinho
igual você
quando esse vento
venta esse vento
no vão do delta
onde um aparelho de audição
perdido pode ser tomado
por uma larva gorda
quando as constelações negras
te fazem nadar para trás
em círculos de sangue
meninos de estábulo estragam suas mãos
por algum tempo
e um homem que nenhum de nós
pode viver sem
quebra o pescoço
pulando algum morro
perseguindo a raposa
de um quartilho
e um cavalo sangue bom
é libertado de sua angústia
mesmo as jovens irmãs
dos meninos com quem corremos
nós daríamos os nossos dedos
para tocá-las de novo
mas essa guerra
se infiltra em nós
pequeno inseticídio
e os grilos brancos daqueles dias
se desenroscam do anzol
não existem mais peixes
não existe mais isca
os rios são formados pelas lágrimas de fãs esportivos
tentamos derramar um rastro de sal
a desenhar um longo fusível
com um barril de pólvora
tentamos nadar para longe da quadra
como lesmas com guelras
as meninas da outra escola
saltam do ônibus
as nuvens tomam seu peso no gin
há um padrão em tudo isso
como a trama de uma saia
enlouquecemos todos olhando

*****************************
Cotton You Lose in the Field, de Frank Stanford

Some bad whiskey
I drink by myself
just like you
when this wind
blows as it does
in the delta
where a lost hearing aid
can be taken
for a grub worm
when the black constellations
make you swim backwards
in circles of blood
stableboys ruin their hands
for a while
and a man none of us
can do without
breaks his neck
jumping over some hill
chasing the fox
of a half-pint
and a fine-blooded horse
is put out of its misery
even the young sisters
of the boys we run with
we would give our fingers
to touch them again
but this war
seeps back into us
little insecticide
and the white cricket of those days
drags itself off the hook
there are no more fish
there is no more bait
the rivers are formed by the tears of sports fans
we try to pour a trail of salt
as if making a long fuse
with a gunpowder keg
we try to swim away from the gym
like slugs with gills
the girls from the other school
step off the bus
the clouds are weighed in at the gin
there is a pattern to all this
like a weave of a skirt
we all go crazy from looking

Inside Out, de Diane Wakoski

Inside Out – Diane Wakoski

I walk the purple carpet into your eye
carrying the silver butter server
but a truck rumbles by,
leaving its black tire prints on my foot
and old images                  the sound of banging screen doors on hot
xxxx afternoons and a fly buzzing over the Kool-Aid spilled on
xxxx the sink
flicker, as reflections on the metal surface.

Come in, you said,
inside your paintings, inside the blood factory, inside the
old songs that line your hands, inside
eyes that change like a snowflake every second,
inside spinach leaves holding that one piece of gravel,
inside the whiskers of a cat,
inside your old hat, and most of all inside your mouth where you
grind the pigments with your teeth, painting
with a broken bottle on the floor, and painting
with an ostrich feather on the moon that rolls out of my mouth.

You cannot let me walk inside you too long inside
the veins where my small feet touch
bottom.
You must reach inside and pull me
like a silver bullet
from your arm.

De dentro pra fora – Tradução por Mariana Ruggieri

Ando o carpete roxo rumo ao seu olho
carregando a mantegueira de prata
mas um caminhão reverbera, passa,
deixando suas gravuras pretas de pneu no meu pé
e imagens antigas                      o som de portas de tela batendo em tardes
xxxx quentes e uma mosca zunindo sobre o suco em pó derramado
xxxx na pia
cintilam, como reflexos na superfície de metal.

Entre, você disse,
para dentro de suas pinturas, para dentro da fábrica de sangue, para dentro das
músicas antigas que delineam as suas mãos, para dentro de
olhos que se transmutam como um floco de neve a cada segundo,
para dentro de folhas de espinafre que escondem aquele único cascalho,
para dentro das barbas de um gato,
para dentro de seu antigo chapéu, e sobretudo para dentro de sua boca onde você
tritura pigmentos com sua arcada, pintando
com uma garrafa quebrada no chão, e pintando
com uma pena de avestruz na lua que rola da minha boca para fora.

Você não pode me deixar andar dentro de você muito tempo dentro
das veias onde os meus pés pequenos tocam
o fundo.
Você precisa alcançar lá dentro e me puxar
como uma bala de prata’
do seu braço.

On the Metro – C.K Williams

On the metro, I have to ask a young woman to move the packages beside her to make room for me;
she’s reading, her foot propped on the seat in front of her, and barely looks up as she pulls them to her.
I sit, take out my own book—Cioran, The Temptation to Exist—and notice her glancing up from hers
to take in the title of mine, and then, as Gombrowicz puts it, she “affirms herself physically,” that is,
becomes present in a way she hadn’t been before: though she hasn’t moved, she’s allowed herself
to come more sharply into focus, be more accessible to my sensual perception, so I can’t help but remark
her strong figure and very tan skin—(how literally golden young women can look at the end of summer.)
She leans back now, and as the train rocks and her arm brushes mine she doesn’t pull it away;
she seems to be allowing our surfaces to unite: the fine hairs on both our forearms, sensitive, alive,
achingly alive, bring news of someone touched, someone sensed, and thus acknowledged, known.

I understand that in no way is she offering more than this, and in truth I have no desire for more,
but it’s still enough for me to be taken by a surge, first of warmth then of something like its opposite:
a memory—a girl I’d mooned for from afar, across the table from me in the library in school now,
our feet I thought touching, touching even again, and then, with all I craved that touch to mean,
my having to realize it wasn’t her flesh my flesh for that gleaming time had pressed, but a table leg.
The young woman today removes her arm now, stands, swaying against the lurch of the slowing train,
and crossing before me brushes my knee and does that thing again, asserts her bodily being again,
(Gombrowicz again), then quickly moves to the door of the car and descends, not once looking back,
(to my relief not looking back), and I allow myself the thought that though I must be to her again
as senseless as that table of my youth, as wooden, as unfeeling, perhaps there was a moment I was not.

No Metrô – tradução por Mariana Ruggieri

No metrô, eu tenho que pedir a uma jovem mulher que ela tire as sacolas ao seu lado para dar espaço para [mim;
ela está lendo, seu pé apoiado no assento a sua frente, e quase não olha enquanto as recolhe para si.
Eu sento, tiro meu próprio livro – Cioran, A Tentação de Existir – e percebo ela desviando o olhar do seu
para absorver o título do meu e assim, como explicado por Gombrowicz, “ela se afirma fisicamente”, isto é,
torna-se presente de uma maneira que não estivera antes: embora não tenha se movido, ela se permite
ver em mais nítido foco, ser mais acessível a minha percepção sensorial, então não posso deixer de notar
seu semblante forte e pele bronzeada – (como literalmente douradas podem ser as jovens mulheres ao fim do [verão.)
Ela se reclina para trás, e enquanto o trem balança e seu braço encosta o meu ela não se afasta;
ela parece estar deixando que nossas superficies se unam: os pelos finos de ambos nossos antebraços, [sensíveis, vivos,
dolorosamente vivos, trazem notícias de alguém tocado, alguém sentido, e portanto reconhecido, conhecido.

Eu entendo que ela não está oferecendo nada além disso, e na verdade nem quero mais do que isso,
mas é ainda assim o suficiente para que eu seja tomado por uma descarga, primeiro de calor e depois de [algo como seu oposto:
uma memória – uma menina por quem suspirava de longe, do outro lado da mesa na biblioteca da escola [agora
nossos pés eu pensava se tocando, se tocando de novo, e então com tudo que eu esperava daquele toque [significar,
tive que perceber que não era sua carne minha carne que naquela duração luminosa se tocaram, mas o pé da [mesa.
A jovem mulher hoje remove seu braço agora, se levanta, oscilando nas guinadas do trem que desacelera,
e passando por mim rela no meu joelho e faz aquilo de novo, afirma seu ser corpóreo de novo,
(Gombrowicz de novo), e rapidamente segue pela porta do vagão e desce, sem nunca olhar para trás,
(para meu alívio não olhando para trás) e eu me permito pensar que embora eu seja para ela de novo
imperceptível como a mesa da minha juventude, como de madeira, como intangível, talvez houve um momento [em que não.