Deto(nação), de Ocean Vuong

Ocean2

DETO(NAÇÃO)
Ocean Vuong
Tradução original de Lidia Rogatto

Nesse janeiro, Ocean Vuong (Saigon, 1988) foi agraciado com o prêmio TS Eliot de literatura pela sua coleção de poemas “Night Sky With Exit Wounds”, ainda sem tradução em português. O prêmio é um reconhecimento de grande prestígio para Vuong, a primeira pessoa de sua família a ser alfabetizada. “Night Sky With Exit Wounds” é o primeiro livro do poeta, que já foi comparado pela crítica com Emily Dickinson graças à sua precisão, e com Gerard Manley Hopkins graças à sua “apreciação pelo som e o ritmo das palavras”. No poema abaixo, vemos um pequeno exemplar da voz de Vuong, em um poema que reflete com maestria sobre o carma relacionado às gerações passadas e sua própria perspectiva do mundo, sempre com uma pincelada de mistério.

Deto(nação)

Há uma piada que termina com – hã?
É a bomba dizendo aqui está seu pai.

Aqui está seu pai, agora dentro
de seus pulmões. Olhe como a terra

é mais leve – depois.
Até mesmo escrever pai

é esculpir uma parte do dia
de uma página que brilha feito uma bomba.

Há luz suficiente para se afogar
mas nunca o suficiente para penetrar os ossos

e lá permanecer. Não fique aqui, ele disse, meu menino
quebrado pelos nomes das flores. Não chore

mais. Então eu corri. Eu me deparei com a noite.
A noite: minha sombra crescendo

em direção ao meu pai

Deto(nation)

There’s a joke that ends with – huh?
It’s the bomb saying here is your father.

Now here is your father inside
your lungs. Look how lighter

the earth is – afterward.
To even write father

is to carve a portion of the day
out of a bomb-bright page.

There’s enough light to drown in
but never enough to enter the bones

& stay. Don’t stay here, he said, my boy
broken by the names of flowers. Don’t cry

anymore. So I ran. I ran into the night.
The night: my shadow growing

toward my father

 

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“Saudades da pátria”, dois poemas de Marina Tsvetáieva

Marina Tsvetaeva, photo for passport on eve of return to Russia (France, 1939) cvetaeva

“Saudades da pátria”, dois poemas de Marina Tsvetáieva;
Tradução por André Nogueira (2017),
Publicação em homenagem ao Dia Internacional do Refugiado, 20 de junho 2017.
Imagem: Marina Tsvetáieva, foto no passaporte de retorno para a União Soviética, 1939.

* * *

Saudades da pátria! Com esse mal
Há muito tempo que eu luto!
Para mim é absolutamente igual
Onde estar só em absoluto.

Quais cascalhos que eu arranhe
Arrastando o carrinho de feira
Para a casa, que me é de todo estranha –
Se hospital ou se caserna, como queira.

A mim é indiferente, qual o povo
Que há de ver em cativeiro
A leonina minha crespa cabeleira,
Ou me expulsar – de novo! –

Ao deserto dessa minha solidão.
Urso polar apartado do gelo
Onde não posso viver (e não faço questão!),
Tanto me faz – onde será o pesadelo.

Não me ilude o chamado longínquo
Da materna minha língua, que convida… –
Não me importa, em qual língua
Serei mal-compreendida.

(O leitor de jornais, o ouvinte
De notícias, fuçador de mexericos…)
Ele – é do século vinte,
E eu – de todo século abdico!

Como um tronco que a esmo
Vê na rua em seu redor passar a gente,
Para mim é indiferente, dá no mesmo –
E, talvez, de tudo o mais indiferente

Seja a pátria onde se acha.
Cada marca dela em mim que se esconde
Vou despir, de cima a baixo:
Eis a alma, que nasceu – tanto faz onde.

E eu também, para a pátria, tanto faço, –
De frente para trás, de trás para frente,
Investigue se encontra dela traço,
Inspetor, em minha alma indiferente!

Estranha é cada casa, vazios todos os templos, –
E tudo indiferente, e tudo igual.
Mas basta que um arbusto eu contemple, –
Eis a sorva – da terra natal…

1934

PÁTRIA

Oh, meu implacável idioma!
Como ouvisse simplesmente uma campônia,
Uma rústica canção que murmurinha:
– Rússia, pátria minha!

No horizonte, atrás da cordilheira,
Pátria minha – e estrangeira! –
Ela mostrou-se para mim:
Terra distante, lá dos últimos confins!

Distância, minha sôfrega doença,
A tal ponto é minha pátria de nascença
Que carrego, aonde for, essa distância –
Minha parte que está fora do alcance.

Distância, que se afasta e não me solta,
Distância, que me diz: “Rápido volta
Para casa!
……………..No horizonte estrela branca
Que de todos os lugares me arranca!

Do suor da caminhada só me resta
Inundar a vastidão da minha testa.

Tu, hei de perder-me nos teus braços!
Com os lábios selarei, ao pé do cadafalso:
Pátria minha – prometida! –
Onde se encontra a perdição da minha vida.

12 de maio 1932

* * *

Тоска по родине! Давно
Разоблаченная морока!
Мне совершенно все равно —
Где — совершенно одинокой

Быть, по каким камням домой
Брести с кошелкою базарной
В дом, и не знающий, что — мой,
Как госпиталь или казарма.

Мне все равно, каких среди
Лиц ощетиниваться пленным
Львом, из какой людской среды
Быть вытесненной — непременно —

В себя, в единоличье чувств.
Камчатским медведем без льдины
Где не ужиться (и не тщусь!),
Где унижаться — мне едино.

Не обольщусь и языком
Родным, его призывом млечным.
Мне безразлично, на каком
Непонимаемой быть встречным!

(Читателем, газетных тонн
Глотателем, доильцем сплетен…)
Двадцатого столетья — он,
А я — до всякого столетья!

Остолбеневши, как бревно,
Оставшееся от аллеи,
Мне все — равны, мне всё — равно;
И, может быть, всего равнее —

Роднее бывшее — всего.
Все признаки с меня, все меты,
Все даты — как рукой сняло:
Душа, родившаяся — где-то.

Так край меня не уберег
Мой, что и самый зоркий сыщик
Вдоль всей души, всей — поперек!
Родимого пятна не сыщет!

Всяк дом мне чужд, всяк храм мне пуст,
И всё — равно, и всё — едино.
Но если по дороге — куст
Встает, особенно — рябина …

1934

РОДИНА

О, неподатливый язык!
Чего бы попросту — мужик,
Пойми, певал и до меня:
«Россия, родина моя!»

Но и с калужского холма
Мне открывалася она —
Даль, тридевятая земля!
Чужбина, родина моя!

Даль, прирожденная, как боль,
Настолько родина и столь —
Рок, что повсюду, через всю
Даль — всю ее с собой несу!

Даль, отдалившая мне близь,
Даль, говорящая: «Вернись
Домой!»
……………..Со всех — до горних звезд —
Меня снимающая мест!

Недаром, голубей воды,
Я далью обдавала лбы.

Ты! Сей руки своей лишусь,—
Хоть двух! Губами подпишусь
На плахе: распрь моих земля —
Гордыня, родина моя!

12 мая 1932

 

 

 

AO TSAR – À PÁSCOA, de Marina Tsvetáieva

Tsar And Son

AO TSAR – À PÁSCOA

dois poemas de “Acampamento de Cisnes”, Marina Tsvetáieva.
Tradução, André Nogueira (2017)
Imagem: tsar Nicolau II e o tsariévitch Alexei (1910).

AO TSAR – À PÁSCOA

Abram, abram alas ao Tsar!
Recua a escuridão da noite.
Acendam velas no altar
E tudo aprontem.
– Cristo há de ressuscitar,
E o tsar que havia ontem!

Caiu sem auréola
A águia bicéfala.
– Tsar! – Não honraste a tarefa.

Nos olhos teus, azuis e traidores
Como dos bizantinos reis,
Hão de fitar teus sucessores,
Pela derradeira vez.

Nos tribunais tua sentença –
Um turbilhão de causar pena.
Tsar! – O povo? – pensas,
Mas é Deus quem te condena!

Enfim chegou a Páscoa
No país por toda parte,
Dorme em paz com
Tua Aldeia* a consolar-te,
Em teu sonho não se hasteiem
Os vermelhos estandartes.

Tsar! – A tua estirpe
Se abriga – no teu sono.
Toma o saco – de mendigo,
Já que extirpam – o teu trono.

Moscou, 2 de abril 1917,
primeiro dia da Páscoa.

     * * *

Pelo menino – o pombinho – o filho do rei,
Pelo jovem tsariévitch Alexei,
Rússia devota, vossos círios acendei!

Pombinhos dois, angelicais,
Como Dmitri de Ivan, Alexei de Nikolai,**
Os olhos deles enxugai.

Rússia, mãe benévola, a criança
Sob o véu de vossa bem-aventurança
Cobrireis, até que as feras se amansem?

Por mais vil que seja o crime de seu pai,
Oh, Rússia pastoril, vós perdoai
O cordeirinho Alexei de Nikolai!

4 de abril 1917
terceiro dia da Páscoa.

* “Dorme em paz com/ Tua Aldeia a consolar-te…”// Aldeia do Tsar, Tsárskoie Seló, residência da família imperial russa, a 26 km de São Petersburgo. Quando a revolução de 1917 derrubou Nicolau II, então imperador da Rússia, ele e sua família foram feitos prisioneiros, primeiramente, no palácio de Alexandre, situado na Aldeia.
** “Como Dmitri de Ivan, Alexei de Nikolai”// Refere-se a Alexei Nikolaievitch, o tsariévitch, isto é, o príncipe Alexei, filho de Nicolau II. Dmitri, filho de Ivan, foi Dmitri de Uglitch, filho de Ivan, o Terrível, morto aos 10 anos de idade em 1591 na cidade de Uglitch. Marina Tsvetáieva, recorrendo a essa referência histórica, clama pela vida do tsariévitch Alexei, então com 13 anos de idade. Nicolau II, a tsarina Alexandra e seus cinco filhos, Alexei, Anastássia, Maria, Tatiana e Olga, junto com demais parentes e empregados da casa, foram mortos em Ekaterimburg no dia 17 de julho de 1918.
Царю — на Пасху

Настежь, настежь Царские врата!
Сгасла, схлынула чернота.
Чистым жаром
Горит алтарь.
— Христос Воскресе,
Вчерашний царь!

Пал без славы
Орёл двуглавый.
— Царь! — Вы были неправы.

Помянет потомство
Ещё не раз —
Византийское вероломство
Ваших ясных глаз.

Ваши судьи —
Гроза и вал!
Царь! Не люди —
Вас Бог взыскал.

Но нынче Пасха
По всей стране,
Спокойно спите
В своём Селе,
Не видьте красных
Знамён во сне.

Царь! — Потомки
И предки — сон.
Есть — котомка,
Коль отнят — трон.

<2 апреля 1917>,
Москва,
первый день Пасхи

* * *

За Отрока — за Голубя — за Сына,
За царевича младого Алексия
Помолись, церковная Россия!

Очи ангельские вытри,
Вспомяни, как пал на плиты
Голубь углицкий — Димитрий.

Ласковая ты, Россия, матерь!
Ах, ужели у тебя не хватит
На него — любовной благодати?

Грех отцовский не карай на сыне.
Сохрани, крестьянская Россия,
Царскосельского ягнёнка — Алексия!

4 апреля 1917,
третий день Пасхи

Resposta dos Cossacos Zaporojes ao Sultão de Constantinopla, de Guillaume Apollinaire

cossacos zaporojes

“RESPOSTA DOS COSSACOS ZAPOROJES AO SULTÃO DE CONSTANTINOPLA”
Poema de Guillaume Apollinaire (1913)
Tradução, André Nogueira (18.05.2017)
Acompanha tradução de Mikhail Kudinov
e sua musicalização por Dmitri Shostakovich (1969):
( https://www.youtube.com/watch?v=cBr9sQHJnNY )
Imagem: “Resposta dos Cossacos Zaporojes…”, de Iliá Riépin (1880-1891).

“Resposta dos Cossacos Zaporojes ao Sultão de Constantinopla”

Cem vezes mais cruel que Barrabás,
com o corno diabólico na testa,
encostado a Belzebu aí estás…
Não iremos ter contigo em tuas festas.
Com um manto de vileza e porcaria
te assentas com os teus para o jantar
enquanto olhos arrancados te espiam
pendurados a teu sórdido colar.
Mestre-sala de uma corja filistéia,
empanturras-te de tudo que é imundo…
Contorcendo-se em terrível diarréia
aos coices tua mãe te pôs no mundo.
Tomado inteiro pela úlcera mordaz,
nessa lama pestilenta tu naufragas.
Teus tesouros com remédios gastarás
que te aliviem o suplício dessa chaga.

“Réponse des cosaques zaporogues au sultan de Constantinople”

Plus criminel que Barabbas
Cornu comme les mauvais anges
Quel Belzébuth es-tu là-bas
Nourri d’immondice et de fange
Nous n’irons pas à tes sabbats
Poisson pourri de Salonique
Long collier des sommeils affreux
D’yeux arrachés à coup de pique
Ta mère fit un pet foireux
Et tu naquis de sa colique
Bourreau de Podolie Amant
Des plaies des ulcères des croûtes
Groin de cochon cul de jument
Tes richesses garde-les toutes
Pour payer tes médicaments

“Ответ запорожских казаков константинопольскому султану”

Ты преступней Варравы в сто раз.
С Вельзевулом живя по соседству,
В самых мерзких грехах ты погряз.
Нечистотами вскормленный с детства,
Знай: свой шабаш ты справишь без нас.
Рак протухший. Салоник отбросы,
Скверный сон, что нельзя рассказать,
Окривевший, гнилой и безносый,
Ты родился, когда твоя мать
Извивалась в корчах поноса.
Злой палач Подолья, взгляни:
Весь ты в язвах и струпьях.
Зад кобылы, рыло свиньи.
Пусть тебе все снадобья скупят,
Чтоб лечил ты болячки свои.

 

 

Ao meu Partido, de Pablo Neruda

pcb

Ao meu Partido, de Pablo Neruda

Ao meu Partido, poema de Pablo Neruda
Tradução por 
Marília Moschkovich
Imagem: ato de inauguração do PCB (Partido Comunista Brasileiro), em 25 de março de 1922.
(Publicação especial em homenagem aos 95 anos do Partido).

Você me deu a fraternidade com aquilo que não conheço.
Você me agregou à força de todos os que vivem.
Você me deu novamente a pátria, como em um nascimento.
Você me deu a liberdade que o solitário não tem.
Você me ensinou a acender, como fogo, a bondade.
Você me deu a retidão de que precisa a árvore.
Você me ensinou a ver a unidade e a diferença entre os homens.
Você me mostrou como a dor de um ser morreu na vitória de todos.
Você me ensinou a dormir nas camas duras de meus irmãos.
Você me fez construir sobre a realidade como sobre uma rocha.
Você me fez adversário do mau e muro do frenético.
Você me fez ver a claridade do mundo e a possibilidade da alegria.
Você me fez indestrutível porque contigo não termino em mim.


A MI PARTIDO (PABLO NERUDA)

Me has dado la fraternidad hacia el que no conozco.
Me has agregado la fuerza de todos los que viven.
Me has vuelto a dar la patria como en un nacimiento.
Me has dado la libertad que no tiene el solitario.
Me enseñaste a encender la bondad, como el fuego.
Me diste la rectitud que necesita el árbol.
Me enseñaste a ver la unidad y la diferencia de los hombres.
Me mostraste cómo el dolor de un ser ha muerto en la victoria de todos.
Me enseñaste a dormir en las camas duras de mis hermanos.
Me hiciste construir sobre la realidad como sobre una roca.
Me hiciste adversario del malvado y muro del frenético.
Me has hecho ver la claridad del mundo y la posibilidad de la alegría.
Me has hecho indestructible porque contigo no termino en mí mismo.


[as traduções que sempre vi espalhadas deste poema me incomodavam um pouco. talvez fosse a distorção causada pelo uso do tempo verbal que, em português, não tem o mesmo sentido que em espanhol – por isso usei o passado em sua possibilidade mais cotidiana e corriqueira, traduzindo o efeito do uso do tempo verbal escolhido pelo poeta em espanhol; comentários são sempre bem-vindos]

DA “GAZETA VERMELHA”, Nikolai Kliúiev (1918)

kliuiev

DA <<GAZETA VERMELHA>>

Poema de Nikolai Kliúiev (1884-1937)
Tradução por André Nogueira (2017)
Imagem: retrato de Kliúiev por Alexander Yar-Kravtchenko (1931)

……………….

DA <<GAZETA VERMELHA>>

1

Que a negra fuligem da sangrenta insurreição
E o ar dos Assombrados ande à volta, –
Dos caixões os vampiros sentirão
A milionésima das facas que vos cortam!

Vós roestes como cães a alma do povo
Emporcalhastes o jardim do Pai Eterno.
Não em arca recheada de alcovas
Vossa ida para os quintos do inferno.

É estrada cimentada de moedas
Vossa via de ladrões e morféticos vampiros;
Cristo dos arbustos de agulhas se apieda
E os pulmões do povo de novo respiram.

É o fim dos valentões violadores,
Discípulos fiéis de Iscariotes.
Dos prados onde acampam grão-senhores
Hão os anjos de ceifar os miosótis.

Bem-vindos coreanos amarelos, beduínos,
Cada tom que Deus pintou suas ovelhas…
Bendito seja o soviete campesino
E os mártires do Exército Vermelho!

Reflitam bem, meninos e meninas:
Lembrem-se de Rázin e Peróvskaia Sofia!
Batizem-se em fé rubra e leonina
Como eles, que pela Rússia-noiva sofriam.

2

Aproxima-se o terrível tribunal! Vinde vê-lo:
O Anjo-exterminador está à porta!
Sob a cusparada do Deus Vermelho
Jazerá a guarda branca morta.

A Rússia sob os cravos seus padece
E de vidro esmigalhado a polvilhais.
Pela casa dos Románovi em prece
Silvam crótalos no altar das catedrais.

Eis que o imundo Rasputin eles exumam:
Sapateia sobre os ícones, escarra no graal…
Está à mesa do café, colchão de plumas;
Nosso povo, em sua fossa habitual.

Raça de lesmas, rastejantes tatuzinhos!
Bernes carcomendo a santa Rússia!
Do andar centésimo celeste  um pergaminho
Desenrola para vós chagas e úlceras.

Grão-senhores, bonifrates em chapéus-coco,
Grã-senhoras, em seda e jóias de ouro.
Com vós não minha lira, e sim a voz rouca
Da cantante em glória grã-metralhadora!

Louvo a metralhadora, sua sede sem fim
Do vosso sangue revestido em pura seda!..
Quando à hora da seara anunciarem serafins
O arrebatar das almas em ardentes labaredas.

Pelas pátrias escarpas toda alma florirá
De trifólios consangüíneos, purpúreos olhinhos…
Reconhece-se o soldado pelo olhar, o mais solar
E pelos versos ressacados de palavras carmesins.

<1918>

~//~

Из <<Красной газеты>>

Пусть черен дым кровавых мятежей
И рыщет Оторопь во мраке,—
Уж отточены миллионы ножей
На вас, гробовые вурдалаки!

Вы изгрызли душу народа,
Загадили светлый божий сад,
Не будет ни ладьи, ни парохода
Для отплытья вашего в гнойный ад.

Керенками вымощенный проселок —
Ваш лукавый искариотский путь;
Христос отдохнет от терновых иголок,
И легко вздохнет народная грудь.

Сгинут кровосмесители, проститутки,
Церковные кружки и барский шик,
Будут ангелы срывать незабудки
С луговин, где был лагерь пик.

Бедуинам и желтым корейцам
Не будет запретным наш храм…
Слава мученикам и красноармейцам,
И сермяжным советским властям!

Русские юноши, девушки, отзовитесь:
Вспомните Разина и Перовскую Софию!
В львиную красную веру креститесь,
В гибели славьте невесту-Россию!

2

Жильцы гробов, проснитесь! Близок Страшный суд
И Ангел-истребитель стоит у порога!
Ваши черные белогвардейцы умрут
За оплевание Красного бога,

За то, что гвоздиные раны России
Они посыпают толченым стеклом.
Шипят по соборам кутейные змии,
Молясь шепотком за романовский дом,

За то, чтобы снова чумазый Распутин
Плясал на иконах и в чашу плевал…
С кофейником стол, как перина, уютен
Для граждан, продавших свободу за кал.

О племя мокриц и болотных улиток!
О падаль червивая в божьем саду!
Грозой полыхает стоярусный свиток,
Пророча вам язвы и злую беду.

Хлыщи в котелках и мамаши в батистах,
С битюжьей осанкой купеческий род,
Не вам моя лира — в напевах тернистых
Пусть славится гибель и друг-пулемет!

Хвала пулемету, несытому кровью
Битюжьей породы, батистовых туш!..
Трубят серафимы над буйною новью,
Где зреет посев струннопламенных душ.

И души цветут по родным косогорам
Малиновой кашкой, пурпурным глазком…
Боец узнается по солнечным взорам,
По алому слову с прибойным стихом.

<1918>

 

 

DIAMBA-SARABAMBA (Konopel-Konopelka), Ivan Novikov

1

IVAN NOVIKOV
(tradução: André Nogueira, nov.-dez. 2016)

DIAMBA-SARABAMBA

(KONOPEL-KONOPELKA)

EDITORA DO ESTADO da URSS, 1926.

2

NOVA BIBLIOTECA INFANTIL
PEQUENA IDADE
…………………………………………………….

IVAN NOVIKOV

DIAMBA-SARABAMBA
(KONOPEL-KONOPELKA)

EM VERSOS

ILUSTRADO POR
P. PAVLINOVA
………………………………………………..

EDITORA DO ESTADO
MOSCOU – 1926 – LENINGRADO

3

1.DIAMBA NO BERÇO

A diamba criança
no berço descansa:
em suave repouso
no solo do chouso.

Os grãozinhos se enfileiram
como sob o travesseiro, –
repousando lado a lado
pelos sulcos do arado.

Quietinha em seu leito
a diamba se deita,
e como tenro cobertor
a terra embala sua flor!

Mas o solo, por si só,
milagre não faz:
tem de amanhecer o sol
e o lavrador regando atrás!

4

2.QUANDO OS OLHOS DELA ABREM

Bem de perto observem
como a natureza é sábia:
quando brota é só um gérmen,
logo os olhos dela abrem…

Libertada da semente
se contorce a raizinha,
o brotinho já rebenta
ainda preso na bainha.

Um tempinho que suceda,
te dobrando de joelhos
sobre a tão verde vereda,
os olhos teus poderão vê-los:

E do chão também te vendo
os verdes olhos se revelam.
Da caçula estão crescendo
à cacheada irmã mais velha.

5

3.ALEGRE PRIMAVERA

A primavera é rápida assim:
um dia antes não havia
construído para si
tão verdejante moradia!

A primavera faz alegre
as campinas e aldeias
onde quer que ela empregue
seus arroios e floreios.

Mas não chegou a obra ao ponto,
por mais bela que rebente…
Toma fôlego e desponta
a diamba adolescente.

Tão bonitos e verdes,
seus cachos crescem e crescem…
Mas a guardada sua flor, vede:
é ainda uma promessa.

6

4.AS PARENTES DA DIAMBA

A diamba também tem parentes:
multiplicam-se no diambeiral!
Mas não são de sua gente
cacheada e fraternal…
São talvez suas sobrinhas,
não exatamente amigas,
mais precisamente ervas daninhas,
as chamadas de urtigas!

De tão venenosa e má,
não se pode com esta laia
a diamba misturar,
como num só mesmo balaio!
Raivosas, com espinhos,
experimente tocá-las e… ai, ai!
Nem serão boas vizinhas,
mas concorrentes desleais!

7

5.A MENINA-SARABAMBA

Menina Kátia tem sardas,
os orelhas rosadinhas,
cabelos ruivos entrançados
como de uma raposinha…
As ovelhas conduzindo aos campos,
quando escapa uma madeixa,
pelos ares vai seu grampo
e tão embaraçada a deixa…

Os pés descalços da menina
de olhinhos meio vesgos,
pastoreando sob a neblina
com os seus cabelos crespos…
Vocês bem já adivinham
como dela vão falar!
Bons apelidos com carinho
poderíamos lhe dar…

Mas não, chegamos tarde!
De nossa amiga já fazem graça:
“A camponesinha de sardas
pelos campos faz fumaça!”…
As crianças com maldade tagarelam
sobre Kátia e a maconha:
“Diamba-sarabamba!”, zombam elas –
como isso fosse uma vergonha!

8

9

6.PRIMEIRA LOA DA DIAMBA
(Verão)

Diamba-sarabamba –
de fragrância perfumosa!
Diamba-sarabamba –
de ramagens tão viçosas!
Flor diamba, menina sarabamba:
benditas sejam ambas.

No verão e no outono,
filha humilde da lavoura,
ela dá seu rico aroma
para quem humilde lavra,
como flor de verde ouro
que cresceu entre tratores
e entre cercas de alambre,
numa única palavra:
diamba-sarabamba!

Como há campos de aveia,
a diamba tem seus campos
e eles são paisagens amplas
onde os pássaros gorjeiam,
e os homens que a plantam
têm repletos de esperança
os corações transbordantes
de sentir sua fragrância…

Diamba-sarabamba –
de cheirosa e forte fibra!
Diamba-sarabamba –
ninguém nunca te proíba!
Flor diamba, menina sarabamba:
benditas sejam ambas.

10

7.É TEMPO DE FLORIR

Vejam como voa o pardal
de um salgueiro para o outro!
E logo mais todo o quintal
no aguaceiro está envolto.

O verão esquenta mais e mais…
Com vivas cores e fresco âmbar,
há flores e mais flores aonde vais…
Pois flore também, crespa diamba!

Flore, diamba, flore,
com teu verde tão modesto,
brota sob o manto arbóreo,
perfumosa flor agreste!

Na natureza, observa,
há meninos e meninas,
como os frutos desta erva
a duas casas se destinam.

Observa atentamente
da diamba como florem
umas flores com sementes,
outras flores com o pólen…

Enfim o alegre tempo da seara:
em tua palma as flores deitas,
das sementes a pipoca tu preparas…
E se faça bom proveito!

11

8. INVENÇÕES

Apelidada de diamba,
sempre atenta, ouve Kátia
o que se diz a seu respeito:
eles julgam, só com base em preconceito,
insinuam, só dislates-disparates
e diamba-sarabamba não aceitam.

As mentiras, deixem eles que as inventem!
Da diamba inventaremos bons proveitos:
ao pilar suas sementes
extraímos bom azeite,
e são melhores vestimentas
com a fibra dela feitas…

Tapam-se os buracos dos paióis
e até casa se constrói
com a matéria da diamba…
E até chicote se faz dela,
arreios, rédeas, selas
e outras cordas nada bambas!

E certa vez um marinheiro
em segredo admitiu:
“Diamba corre o mundo inteiro…”,
e num instante ele sorriu:
“Adiante, como hasteada bandeira,
de cânhamo é a vela do navio!”

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13

9. A FLOR-MENINO

Estava Kátia ali plantada
à espera da carroça…
A flor menino, estocada,
ficou murcha, macilenta…
– Puxa! – Experimenta!
Eles de novo se alvoroçam…

Entre cotoveladas e sorrisos,
seus irmãos não se continham:
– Para quem a calça? E a camisa?
O chicote e o chicotinho? –
E começou o empurra-empurra:
– Urra! Urra!

Que arteiro esse Greguinho!
Isso, irmão, não é brinquedo!
Essa flor-menina é minha…
Este aqui, eu te concedo:
amassa, asseia este folhedo
e fabrica para ti teu chicotinho!

Greguinho era mesmo um traquinas.
Rosadinhas as bochechas,
lembram, quase, as da menina…
Menos fartas as madeixas.
Mas com olhos tão azuis…
– Da cor do mar! – Ui, ui!

Kátia olhava admirada:
também a flor-menino é útil à beça!
Velas, para que os barcos nadem… –
Nem milagre, nem promessa,
é a puríssima verdade!
O mundo inteiro, se soubesse…

Como os pássaros viajam para o sul,
as plantas também amam o céu azul.
Passarinho, decola!
A plantinha tiraremos da gaiola!
Greguinho estala seu chicote –
Um futuro marinheiro no seu bote.

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10. A BATEÇÃO

Separados os melhores ramos,
o cânhamo no leito ressequiu…
A bateção nós começamos…
E não solta nenhum piu!
Com amor tudo suporte,
e terá vida em vez de morte.

Os grãozinhos, secos e picantes,
nas cabecinhas toc-toc,
em todo canto eles pipocam.
Quantos ramos num só monte!
Mas a poeira que levanta
é ruim demais da conta!

Ajuntem as crianças mais um pouco
e batam, batam com os tocos,
com alegria batam em nós!
E aproveitem nossas sementes,
estourem pipoca e escutem contentes
as histórias de seus avós!

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11.A CAMISA NO RIO

Tu, camisa minha, no fundo do rio!
Tanto que te espero, e até quando?
Só penso, na noite febril:
a diamba no rio afundando!

Como cantam e gargalham,
amarrando, colocando-a na água!
Com uma pedra presa aos galhos,
a diamba naufraga!

Mamãe pediu que eu me console,
vovó explicou para que serve:
precisa ir de molho, até ficar mole!
Verás tua diambinha em breve!

Para isso te batizam,
camisa minha tão esperada?
Que idéia, lavar uma camisa
que sequer foi costurada!

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12. DIAMBA NO PRENSOR

Outono acinzentou os arvoredos
e a diamba já está encharcada:
pela manhã bem cedo
retiraram ela da água.

Bem, agora o trabalho é rápido:
a diamba secar e prensar.
E como a fibra está um trapo!
Sarabamba sarará…

Primeiro no prensor tu a colocas
e começas a pular sobre a alavanca…
Em seguida, numa roca,
um belo tufo tu arrancas!

Sobretudo é preciso rapidez…
Mas no prensor não tem segredo:
Sacode tudo de uma vez!
E cuidado com o dedo!

Vê como eles prensam e prensam –
E a diamba, quietinha, lá embaixo…
Eu sento com vovó em silêncio
e penteio os amados cachos!

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13. ESPADELAR E PENTEAR

Não gosto muito da espadela:
como sacodem e sacodem a diamba!
Rolam pelos cantos tufos dela
enquanto a lâmina esculhamba.

Mas eu amo pentear seus cachos…
Desemaranho e desemaranho,
e já mais sedosa se acha
minha futura camisa de cânhamo.

Para tascar, as espadelas,
para pentear, os pentes,
como dando a uma donzela
um penteado diferente…

Emaranhados os seus ramos
no prensor que estalavam…
Agora na mão a pegamos –
suave, suave…

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14. FRIO E NEVE

Com o inverno cai a neve
e o vento logo se enerva:
No telhado alguém que chora?
A nogueira de frio agoniza?
Deixem o vento brincar lá fora,
não vão congelar os narizes!

É hora de o tempo livre
aproveitar com um bom livro…
Kátia, debruçada sobre as figuras,
sem saber ainda as letras, memoriza,
prediletos da gaveta, os de aventura
sobre outros mares e países…

Com o alfinete vovô trabalha
trançando uma sandália…
pensas, com fio de palha?
Sobre as águas e cordas-bambas,
por quais bandas tanto andas,
sandalinha sarabamba?

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15. SEGUNDA LOA DA DIAMBA
 (Inverno)

Diamba-sarabamba –
de vida sofrida!
Diamba-sarabamba –
de bonito penteado!
Quando tornares-te tecido,
estará tudo perdoado!

Inverno cruel, –
as nuvens formam uma cortina
que encobre todo o céu
enquanto afora murmurinham
os teus ventos prepotentes!
Mas divertem-se os meninos
com mãos cheias de sementes
que saltitam, como fossem joaninhas,
e estalam entre os dentes!

Vovó coroca
de cócoras se aninha,
a seu lado uma cumbuca de pipoca,
e num novelo enrola as linhas
que começam a silvar:
tu diamba, diambinha,
sarabamba saravá!

Flor diamba, menina sarabamba –
benditas sejam ambas!

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16. A MÁQUINA ASSIM VIBRA

Os pássaros já fazem pilhéria,
o degelo a tudo encharca,
outra vez é primavera
e mamãe montou a máquina.

Vem chegando a roupa nova!
Mamãe pôs a urdidura,
e como fosse dura prova
vibra a máquina de costura!

A diamba novamente se emaranha,
enquanto a máquina assim vibra,
talvez não teia de aranha,
mas tecido, fibra a fibra!

E tudo sem despentear,
tece, tece sem parar, maquinaria…
Uma mosca que grudasse no tear
decerto não escaparia…

Depressa, pombinha! Ainda faz frio
e é preciso agasalhar o meu nariz!
E venha o tempo bom primaveril
iluminar nosso país!

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17.  TERCEIRA LOA DA DIAMBA
(Primavera)

A diamba no quintal
acordou de uma soneca, –
como os tecidos no varal
sob o solzinho ela seca.
Seu verde, só, descoloriu
com o todo-poderoso frio…

Ah, a primavera vem chegando!
E além da neve e do gelo,
a diamba e seus cabelos
ao redor vão gotejando e estalando!
E nossa gente tem no rosto
um sorriso de dar gosto
de prazer desabrochando,
como quando no paiol
sob um raiozinho de sol
ouves o canto da calhandra.

Vamos, meninos, em fileira!
Vamos, meninas, dançar uma mazurca!
Eles saltam para perto da lareira
e batucam nas cumbucas.
Pés no chão, mãos na cintura!
Um salto à frente, um giro em torno!
E os sorrisos que fulguram
como a diamba no forno.

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18. TESOURAS E FIOS

Mamãe colocou tudo sobre a mesa,
separando os tecidos um por um,
e se pôs a cortar com destreza
a tesoura: zum-zum!

É de cair o queixo:
também os fios vêm dessa safra!
E pensar que são as mesmas as madeixas
cujo azeite está servido na garrafa…

Às agulhas! Não preciso nem falar.
Por toda a casa, como andorinhas
costuramos, para lá e para cá,
e para o tanque à tardezinha…

Agora todos na aldeia têm camisa:
Kátia sarabambinha
e a vesguinha Lisa,
o irmão Paulinho
e Dária moleca,
e também o careca
vovô Aluízio,
uma xale para a corcova
de vovó Praskóvia,
sandálias para as descalças
Natália e Eduarda,
e ainda costuraram calças
para o Greguinho de sardas.

Esse verão Greguinho vai pastorear,
os rebanhos conduzir às campinas…
“E algum dia, para o mar!”,
o chicote rasgou a neblina.

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19. GREGUINHO PASTOR

Abril já passou, tu mesmo vês:
há diambas novinhas por onde fores.
A primavera trabalhou mais uma vez
e foi embora deixando as flores…

E entrando em maio tu verás
como as ovelhas conduzindo pelos campos
e perdendo no caminho os seus grampos
Kátia vai, Greguinho atrás.

De camisa nova, o novo pastor
e futuro marinheiro, –
basta à Kátia ele propôr
alguma nova brincadeira.

E nas mãos os seu chicote:
Pastor! – E tenho dito!
E com estalos cada vez mais fortes
por dez vezes se repita!

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20. A DIAMBA E A CORDA

Penteados e lavados seus cabelos,
sopra o vento, eles dançam.
Se alguém pensar torcê-los,
eis a mais bela das tranças.

A diamba nos bazares vai à venda,
as cordas para as tarefas difíceis,
o chicote pelos ares socorrendo
o cavaleiro em seu ofício.

Não se vive nem um dia sem diamba
e sem as cordas de seus cachos…
Um dia no campo descamba,
sem ela, barranco abaixo!

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21. POR TODA A PARTE A DIAMBA ESTÁ

Kátia foi ao monte
sem levar o seu rebanho,
olhou ao longe o horizonte…
Há algo estranho…

Derramando seu calor
por toda a terra e todo o mar,
o sol está para se pôr  –
e Kátia… pronta a navegar!

E onde houver terra
a diamba está,
e sarabamba se encerra
onde houver mar…

Só uma história, ou o futuro?
Assim, sem nenhum aviso
a aldeia inteira flutua
bem diante de nossos narizes!

E onde vemos Kátia,
na verdade, é uma sereia!
E no barco da pátria
está Greguinho, o marinheiro!

O mar com suas ondas se alegrou,
a vela se ergueu alto no mastro
e o barquinho, como um grou,
no horizonte se afasta…

E a terra toda redonda
floresceu como a diamba!
E a saudou o sol se pondo:
salve, salve, sarabamba!

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