A Novela italiana, de Rober Walser

robert walser

A novela italiana
Tradução: Tomaz Amorim Izabel

Eu tenho fortes motivos para me perguntar se irá agradar uma história que conta sobre duas pessoas ou duas pessoinhas, a saber, uma moça adorável e gentil e um homem jovem, corajoso, bom e, à sua maneira, pelo menos também tão gentil quanto ela, que mantinham entre si a mais bela e profunda relação de amizade. O amor terno e apaixonado que eles sentiam um pelo outro igualava o sol de verão em calor e a neve de dezembro em pureza e castidade. Sua confiança mútua e gentil parecia inabalável e a afeição ardente e inocente crescia dia após dia, como uma planta cheia de cores e fragrâncias maravilhosas. Nada parecia poder perturbar esta das mais estáveis das situações e das mais belas das convicções. Tudo teria permanecido bonito e bem, não conhecesse o homem jovem, corajoso, bom e amado tão bem a Novela italiana. O conhecimento exato, entretanto, da beleza, esplendor e majestade da Novela italiana deixaram no, como o leitor atento imediatamente compreenderá, besta, roubaram dele por algum tempo a metade do seu juízo sadio e o constrangeram, o forçaram, o obrigaram a um dia, de manhã ou de noite, às oito, às duas ou às sete horas, a dizer com voz cansada para sua amada: “Ei, ouça, tenho que te falar uma coisa, uma coisa que já me pressiona, me atormenta e me tortura há muito tempo, uma coisa que talvez vá nos fazer infelizes. Eu não devo manter isto em silêncio, eu preciso, preciso te dizer. Junte toda a sua coragem e resistência. É possível que a notícia terrível e horrorosa te mate. Ai, queria me dar mil safanões ressoantes e arrancar os meus cabelos”. A pobre moça exclamou raivosa: “Eu não estou te reconhecendo. O que te atormenta, o que te tortura? O que é de tão terrível que você até agora me escondeu e que agora tem que me confiar? Adiante com as palavras aqui, para que eu saiba o que eu tenho a temer e o que eu por ventura ainda tenho para crer. Coragem para tolerar o mais pesado e para suportar o mais extremo não me falta”. Assim ela falou, claro, e tremia de medo com todo o corpo, e o desconforto se alastrou com uma palidez mórbida sobre seu rosto amável, até então fresco e belo. “Perceba”, disse o jovem homem, “que eu infelizmente tenho um conhecimento profundo demais da Novela italiana e que justo este saber é nossa infelicidade”. “Como isto, pelo amor de Deus?”, ela perguntou, digna de pena, “como pode ser que formação e conhecimento possam nos deixar inconsoláveis e destruir nossa felicidade?”. No que coube a ele replicar: “Porque o estilo da Novela italiana é único em beleza, sabor e força e porque o nosso amor não tem um estilo assim para apresentar. Este pensamento me deixa inconsolável e eu não consigo mais acreditar em nenhuma felicidade”. Por cerca de dez minutos ou um pouco mais, ambas as boas e jovens pessoas soltaram a cabeça e a cabecinha e ficaram completamente desamparados e aturdidos. Aos poucos, no entanto, foram ganhando de volta a confiança e a fé perdida, e voltaram de novo à reflexão. Eles rejuntaram as forças e saíram da tristeza e do desânimo, olharam amigavelmente uns nos olhos do outro, sorriram e se deram as mãos, se aninharam bem próximos, estavam mais felizes e mais confiantes do que nunca porque disseram: “Agora, como antes, apesar de todo o estilo e magnificência da Novela italiana, nós queremos ter alegria e prazer um no outro e nos amarmos com afeto, assim como éramos antes. Nós queremos ser modestos e satisfeitos e não queremos nos preocupar com nenhum modelo que nos roube o gosto e o prazer natural. Permanecer simples e honestos um com o outro, e sermos bons, é melhor do que o mais belo e distinto estilo, que nos pode ser roubado, não é”. Com estas palavras alegres eles se beijaram com a maior intimidade, riram do seu desalento ridículo e ficaram novamente satisfeitos.

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Die italienische Novelle
Robert Walser

Ich habe starke Ursache, mich zu fragen, ob eine Geschichte gefallen wird, die von zwei Leuten oder Leutchen, nämlich von einem reizenden netten Mädchen und von einem in seiner Art mindestens ebenso netten braven guten jungen Mann berichtet, die im schönsten und innigsten Freundschaftsverhältnis zu einander standen. Die zärtliche und leidenschaftliche Liebe, die sie gegenseitig fühlten, glich an Hitze der Sommersonne und an Reinheit und Keuschheit dem dezemberlichen Schnee. Ihr beidseitiges liebenswürdiges Vertrauen schien unerschütterlich, und die feurige unschuldige Neigung wuchs von Tag zu Tag wie eine wundervolle farben- und duftreiche Pflanze. Nichts schienden allerholdesten Zustand und das allerschönste Zutrauen stören zu können. Alles wäre schön und gut gewesen, wenn nur der brave gute liebe und junge Mann die italienische Novelle nicht so gut gekannt hätte. Die exakte Kenntnis jedoch von der Schönheit, Pracht und Herrlichkeit der italienischen Novelle machte ihn, wie der aufmerksame Leser sogleich erfahren wird, zum Schafskopf, raubte ihm für eine Zeitlang die Hälfte des gesunden Verstandes und veranlasste, zwang und nötigte ihn eines Tages, morgens oder abends, um acht, zwei oder sieben Uhr zu seiner Geliebten mit dumpfer Stimme zu sagen: »Du, höre, ich habe dir etwas zu sagen, etwas, das mich schon die längste Zeit drückt, plagt und foltert, etwas, das uns Beide vielleicht unglücklich machen wird. Ich darf es dir nicht verschweigen, ich muss, ich muss es dir sagen. Nimm allen deinen Mut und alle deine Festigkeit zusammen. Es kann sein, dass dich die Kunde von dem Schrecklichen und Furchtbaren tötet. O ich möchte mir tausend schallende Ohrfeigen geben und mir das Haar ausraufen.« Das arme Mädchen rief angstvoll aus: »Ich kenne dich nicht mehr. Was quält, was peinigt dich. Was ist es Schreckliches, das du mir bis dahin verheimlicht und das du mir anzuvertrauen hast. Heraus mit der Sprache auf der Stelle, damit ich weiss, was ich zu fürchten und was ich irgendwie noch zu hoffen habe. An Mut, das Härteste zu dulden und das Äusserste zu ertragen, fehlt es mir nicht.« – Die so redete, zitterte freilich vor Angst am ganzen Körper, und das Unbehagen verbreitete eine tödliche Blässe über ihr liebreizendes, sonst so frisches und hübsches Gesicht. »Vernimm«, sagte der junge Mann, »dass ich leider nur ein zu gründlicher Kenner der italienischen Novelle bin und dass eben diese Wissenschaft unser Unglück ist.« – »Wieso das, um Gotteswillen?«, fragte die Bedauernswürdige, »wie ist es möglich, dass Bildung und Wissenschaft uns trostlos machen und unser Glück zerstören können?« Worauf es ihm beliebte, zu erwidern: »Weil der Stil in der italienischen Novelle an Schönheit, Saft und Kraft einzig dasteht, und weil unsere Liebe keinen derartigen Stil aufzuweisen hat. Dieser Gedanke macht mich trostlos, und ich vermag an kein Glück mehr zu glauben.« Beide guten jungen Leute liessen zirka zehn Minuten lang oder etwas länger den Kopf und das Köpfchen hängen und waren völlig rat- und fassungslos. Nach und nach gewannen sie jedoch die Zuversicht und den verlorenen Glauben wieder zurück, und sie kamen wieder zur Besinnung. Sie rafften sich aus Trauer und Entmutigung auf, schauten einander freundlich in die Augen, lächelten und gaben sich die Hand, schmiegten sich eng zusammen, waren glücklicher und vertraulicher als je zuvor, indem sie sagten: »Wir wollen nach wie vor trotz allen stilvollen und prachtvollen italienischen Novellen Freude und Genuss aneinander haben und uns zärtlich lieben, so wie wir einmal sind. Wir wollen genügsam und zufrieden sein und uns um keine Vorbilder kümmern, die uns nur den Geschmack und das natürliche Vergnügen rauben. Schlicht und ehrlich aneinanderhängen und warm und gut sein ist besser als der schönste und vornehmste Stil, der uns gestohlen sein kann, nicht wahr.« Mit diesen fröhlichen Worten küssten sie sich auf das innigste, lachten über ihre lächerliche Mutlosigkeit und waren wieder zufrieden.

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