Poema de Sete Faces, de Carlos Drummond de Andrade (para o Alemão)

Carlos Drummond de Andrade
Poema de sete faces

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do -bigode,

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

De Alguma poesia (1930)

Tomaz Amorim Izabel & Svenja Wesch
Gedicht der sieben Gesichter

Als ich geboren bin, hat ein krummer Engel
von denen, die im Schatten leben
gesagt: Geh, Carlos! Sei gauche im Leben.

Die Häuser belauern die Männer
die den Frauen hinterher laufen.
Der Nachmittag wäre vielleicht blau,
gäbe es nicht so viele Wünsche.

Die Straßenbahn voller Beine fährt vorbei:
weiße schwarze gelbe Beine.
Wieso so viele Beine, mein Gott, fragt mein Herz.
Aber meine Augen
fragen gar nichts.

Der Mann hinter dem Schnurrbart
ist ernst, einfach und stark.
Spricht wenig.
Wenige, seltene Freunde hat
der Mann hinter Brille und Schnurrbart.

Mein Gott, warum hast du mich verlassen
wissend, dass ich nicht Gott war
wissend, dass ich schwach war.

Welt Welt weite Welt,
wäre mein Name Roosewelt
wäre es ein Reim, keine Lösung.
Welt Welt weite Welt,
noch weiter ist mein Herz.

Ich sollte es dir nicht sagen
aber dieser Mond
aber dieser Kognak
macht die Leute verdammt gefühlsduselig.

Agradecimentos: Bruno Mendes e Professora Norma Wucherpfennig.

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5 comentários sobre “Poema de Sete Faces, de Carlos Drummond de Andrade (para o Alemão)

  1. noooooooooooooossa como é grande pra recitar eu tenho que recitar isso na escola meuuuuuuuu deussssssssss,eu pensava q era menor

  2. Kennst du dieses brasilienisches Volkslied? Das hab ich (volles Heimweh) in München übersetzt:

    Alecrim, golden Alecrim
    Du wächst auf der Wiese
    Geweht vom Wind
    Wer hat’s mir gesagt
    ‘s war mein Liebling
    Die Blume auf der Wiese
    Hiesst den Alecrim

  3. Das mag ich voll gerne :)

    Eu acabei de me formar em publicidade e estudo artes plásticas mas – plötzlich – descobri que gostaria de ser tradutora de alemão (literarische Texte, wenn möglich :).

    Você tem algum conselho para mim a respeito de pós-graduações no Brasil ou fora? Ou algum contato de alguém que pudesse me orientar?

    Agradecida,

    Marília

  4. Opa… Obrigado por ter pontuado esta questão.
    Como o termo é estrangeiro, e ao que me parece não é tão utilizado em português a ponto de ser considerado já uma palavra nossa (se você caso, talvez a grafia dela já tivesse virado algo como “goche”), preferi manter o estrangeirismo. Tão estrangeiro, aliás, que o Drummond até usa itálico.

    Grato,
    Tomaz.

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