Sainte, de Stéphane Mallarmé

Sainte
Mallarmé

 

À la fenêtre recelant
Le santal vieux qui se dédore
De sa viole étincelant
Jadis avec flûte ou mandore,

 

Est la Sainte pâle, étalant
Le livre vieux qui se déplie
Du Magnificat ruisselant
Jadis selon vêpre et complie :

 

À ce vitrage d’ostensoir
Que frôle une harpe par l’Ange
Formée avec son vol du soir
Pour la délicate phalange

 

Du doigt que, sans le vieux santal
Ni le vieux livre, elle balance
Sur le plumage instrumental,
Musicienne du silence.

 

 

Santa
Tomaz Amorim Izabel

 

Na janela resguardando o
Sândalo velho que desdoura
Da sua viola rutilando
Antes com a flauta ou a mandora,

 

Está a Santa pálida, portando
O livro velho que desvela
Do Magnificat derramando
Antes tal véspera e completa:

 

Neste vitral da santa urna
Que leve uma harpa o Anjo tange
Formada em voada noturna
Pela delicada falange

 

Do dedo que ela, sem bagagem
De sândalo, deita suspenso
Sobre esta instrumental plumagem,
A musicista do silêncio.

 

 

Tradução consultada: Andrei Cunha

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