14 Novembro 2008
ЦВЕТОК (de Pushkin)
Цветок засохший, безуханный,/Забытый в книге вижу я;/И вот уже мечтою странной/Душа наполнилась моя: Где цвёл? когда? какой весною?/И долго ль цвёл? И сорван кем,/Чужой, знакомой ли рукою?/И положен сюда зачем? На память нежного ль свиданья,/Или разлуки роковой,/Иль одинокого гулянья/В тиши полей, в тени лесной? И жив ли тот, и та жива ли?/И нынче где их уголок?/Или уже они увяли,/Как сей неведомый цветок?
1828
A FLOR (Trad., André)
Vejo uma flor seca, sem ar
Cá esquecida em um caderno,
E meu espírito prosterno
Num esquisito meditar:
Floriu quando? Onde? Em que estaçāo?
E postergou-se? E é estranha
Ou amiga a māo que a apanha?
E a pôs aqui por que razāo?
Pra recordar um encontro amável
Ou uma separaçāo funesta,
Ou um passeio solitário
Num sítio, à sombra da floresta?
E ele está vivo, ela também?
E a que refúgio se retêm?
Ou eles ambos já mirraram
Como esta flor que aqui deixaram?
2 Comentários |
André Bacciotti Nogueira | Etiquetado: Pushkin, russo, tradução |
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Escrito por andrebacciottinogueira
22 Julho 2008
Silence
Edgar Allan Poe
There are some qualities- some incorporate things,
That have a double life, which thus is made
A type of that twin entity which springs
From matter and light, evinced in solid and shade.
There is a two-fold Silence- sea and shore-
Body and soul. One dwells in lonely places,
Newly with grass o’ergrown; some solemn graces,
Some human memories and tearful lore,
Render him terrorless: his name’s “No More.”
He is the corporate Silence: dread him not!
No power hath he of evil in himself;
But should some urgent fate (untimely lot!)
Bring thee to meet his shadow (nameless elf,
That haunteth the lone regions where hath trod
No foot of man,) commend thyself to God!
Silêncio
Leonardo Saraiva
Há certos atributos – incorpórea espécie -
que têm uma vida dupla, de onde surge então
um tipo de entidade gêmea que floresce
da matéria e da luz, substância e escuridão.
Há dualidade no Silêncio – mar e enseada -
corpo e alma. Parte mora nos ermos desvãos,
crescendo com o mato; uma graça ensaiada,
uma doutrina sofrida, uma recordação,
há muito que o desarme: seu nome é “O Não”.
Não o temas! É apenas Silêncio encarnado.
Nenhum poder malvado possui de seu;
mas caso teu destino (inoportuno fardo!)
faça-te conhecer sua sombra (elfo sem nome
que horroriza os longínquos lugares onde homem
jamais pisou), entrega-te à mercê de Deus!
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Leonardo Saraiva | Etiquetado: edgar allan poe, inglês, poesia, tradução |
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Escrito por Leonardo Saraiva